segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ESTAÇÃO UBÁ - Ponto de referência na Linha do Centro.







Estive na Estação em julho de 2012

Inaugurada em 26 de outubro de 1879

Linha de Caratinga - km 356,46 (1980)





Um dos principais pontos de referência no ramal da Leopoldina, a cidade de Ubá ainda possui sua antiga Estação. Graças ao Tombamento do Conjunto Arquitetônico da Estação Ferroviária de Ubá em 2004 como Patrimônio Histórico, o prédio que esteve por um bom tempo em estado precário e mal conservado vem passando por amplas reformas, bem como todo o seu entorno, num processo de ampla revitalização daquela região.
Trata-se de uma bela Estação que teria sido inaugurada entre 1879 e 1880 e que chegou a receber dois trens vindos do Rio de Janeiro, um que vinha pela linha do Centro passando por Bicas e outro que passava por Recreio e Cataguases até encontrar com a linha do centro na Estação de Ligação.
A Linha do Centro aqui citada na verdade correspondia à antiga E. F. União Mineira que vinha até Guarani. Após comprada pela Leopoldina em 15 de maio de 1884, construiu-se o  prolongamento da linha que uniria as Estações de Guarani e Ubá, passando por Ligação.














Antigos casarões próximos à Estação abrigam muitas histórias.




Com a valiosa contribuição de Hugo Caramuru, a Estação de Ubá ontem e hoje.



































6 comentários:

  1. Estrada de Ferro Leopoldina
    data: 10/07/2015 | de: Eduardo Contin Gomes
    Parabéns Hugo Caramuru e Amarildo Mayrink. Sou de Ubá, nascido na Fazenda do Glória e com mãe nascida em Diamante de Ubá. Já viu né? Em 1881 Dom Pedro II inaugurou o ramal da EFL que passava por lá e teve em determinado trecho (Ubá-Diamante) a guarda de honra prestada por meu trisavô, um grande fazendeiro e oficial da Guarda Nacional, de nome Antônio Gomes Pereira e Silva. Naquele tempo, o local se chamava Pântano e com a visita da comitiva imperial e pequena parada na estação, o meu trisavô serviu um café ao Imperador no trem. Dom Pedro II que tudo anotava e observava, percebeu que o lugar era bonito e Pântano um nome em desacordo, sugerindo que o lugar era um DIAMANTE de tão bonito e verdejante. Daí para frente passou o povoado a chamar Diamante, hoje Diamante de Ubá (distrito). Meu trisavô em junho de 1881, pelos relevantes serviços prestados, recebeu do Imperador a Comenda da Rosa e passou a ser conhecido então e tratado como "Comendador". As xícaras de café foram guardadas "sem lavar" e infelizmente não temos mais notícias delas. Este relato está no diário do Imperador Dom Pedro II e hoje no acervo da Biblioteca Nacional. O Comendador naqueles tempos era praticamente o dono da maioria das terras em torno do Diamante e no caminho sentido Ubá, o trem passava nas terras de uma fazenda conhecida como "Fazenda do Glória" de propriedade do filho mais velho do Comendador, de nome Ten. Cel. Antônio Gomes Pereira Filho (meu bisavô). Nesta Fazenda, meu avô nasceu, meu pai e também eu. No final da década de 1950 e anos 1960 o trem passava nas nossas terras. Eu ouvia o barulho da máquina a vapor com o seu inesquecível repetitivo "café-com-pão-manteiga-não". Eu e mais alguns irmãos, às vezes, corríamos na estrada de terra, subíamos pequeno morro e do alto dava para ver o trem passar lá embaixo na várzea. Posteriormente, ouvíamos o som das novas máquinas a Diesel. Entre a estação do Diamante e Ubá e bem próximo, um pouco antes, da estação da Ligação tinha uma plataforma coberta de parada do trem conhecida como "Parada Moreira" por situar-se nas terras do grande fazendeiro Laurindo Moreira. Essa Parada Moreira já foi destruída, infelizmente. Aquele prédio que você fotografou no povoado da estação da Ligação, de propriedade do Eduardo Stanziola, um moinho desativado, pertenceu ao meu trisavô (o Comendador) e o interessante é que desde pequeno, hoje estou com 65 anos, lembro daquele prédio meio destruído em sua parte superior, para mim, eu falo que ele foi bombardeado, um pensamento meu de criança para justificar aquele estrago antigo. O certo é que aquele prédio nunca foi reconstruído e deveria ser tombado pelo Patrimônio Histórico de Ubá, afinal, é centenário e semidestruído como sempre. Um caso a ser pensado e considerado pela comunidade local. É ou não é? Bom, o Comendador foi homem ilustre e do bem, pelo que conheço da sua história e influente em Ubá, sendo "Agente Executivo" da cidade em duas ocasiões (1892 e 1895-1986). Agente Executivo corresponde hoje ao cargo de Prefeito Municipal. Hoje tem uma rua em Ubá que o homenageia com o nome de "Comendador Antônio Gomes". É isto meu amigo, um pouco da história dos caminhos do trem por Minas Gerais. Um pena o descaso hoje existente com os trechos desativados e que outrora foram fomento para o crescimento de Minas e desenvolvimento de sua gente. Eu também sou saudosista.
    Um grande abraço e muitos parabéns,
    Eduardo Contin Gomes
    ----------------------------
    (31) 9972-2454

    ResponderExcluir
  2. Estrada de Ferro Leopoldina
    data: 15/07/2015 | de: Amarildo Mayrink
    Belíssimo relato, Eduardo Contin Gomes! Digno de uma bela matéria aqui no site.
    São depoimentos como estes que nos anima a continuar.
    Grande abraço para você também.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pela postagem, bate uma saudade de um tempo que não vivi!! Meu tio ia sempre de Japeri até Caratinga MG de trem, vai ver passava por Ubá também, olhei no Google, a não ser que eu esteja errado... Ele atualmente tem problemas de memória, mas, ao mostrar essas fotos a ele, lembrou direitinho das viagens que fazia!! Das subidas e descidas das serras, das curvas nas montanhas até chegar em São Geraldo, do apito, de várias estações, até do apelido que deram ao trem "Inconfidente"... Falou também de um trem "caçique" (Campos ao Rio de Janeiro), muito parecido com esse da foto, amarelo com listras vermelhas (ou vice versa rs), carinhosamente era considerado o "irmão" desse inconfidente... Mesmo não tendo mais esse trem, viajamos no tempo, com duas horas de relatos contados como se fosse ontem!! Foi impressionante, como as lembranças voltaram, e olha que o último trem desse, pela linha auxiliar que passou em Japeri tem mais de quatro décadas!! falou da decepção com que o trem foi largado no final das contas... Agora uma opinião minha: esse negócio de que desativaram o trem porque não dava lucro é balela, falácia. Por anos a ferrovia sempre foi tratada como estorvo nesse paiseco que vivemos, não tinha investimentos, daí, óbvio que as antigas máquinas se tornariam lentas e obsoletas frente ao pesado investimento em rodovias... Se ferrovia fosse sinônimo de prejuízo, os EUA não teriam a maior malha ferroviária do planeta!!

    Um forte abraço, e parabéns mais uma vez pela póstagem, fez "milagres" aqui rs!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Roberto!
      Comentários como o seu e a notícia de que este singelo trabalho tenha feito tão bem ao seu Tio é que me motiva ainda mais a seguir em frente. E ele está certo: Passava por Ubá sim! E subia pela belíssima serra de São Geraldo, que pretendo conhecer em breve e trazer notícias e fotos de lá para o seu Tio, você e todos os amigos leitores.
      vamos em frente! Ainda tem muita estação para visitar!
      Forte abraço pra vocês também.

      Excluir
  4. Seu trabalho é fantástico!
    Segundo meu tio, a vista da serra era linda, a partir do trem, com suas curvas e matas de tirar o fôlego. Da estação Mirante dava para ver a cidade lá em baixo! Agora, acredito eu que ainda deva ter trilhos por lá..
    Como você mesmo disse, "ainda tem muita estação para visitar"...Aproveite, um dia quem sabe, e faça uma visita às estações da antiga Linha Auxiliar, porque pelo o que me contaram, depois da desativação do trecho serra de Petrópolis, foi por ela que os trens, tanto de passageiros quanto os cargueiros seguiam do RJ a MG, na bitola métrica.
    Antes da desativação total desse ramal, eu tive o prazer, quando criança, de andar no saudoso "trem azul". Mas, um passo de cada vez. Desejo boa sorte e parabéns mais uma vez!

    ResponderExcluir
  5. Alguém tem uma foto da Parada Moreira na Época.

    ResponderExcluir