domingo, 29 de janeiro de 2017

ESTAÇÃO SUMIDOURO – É lá que encontramos as históricas colunas da Ponte Seca.

Acima, a área central de Sumidouro, vendo-se a Estação no centro da foto.


Acima, um dos mais belos registros fotográficos de Sumidouro. A composição sobre a Ponte Seca.



Acima, o sempre triste registro para as cidades onde existiu a ferrovia - o último trem a passar por Sumidouro.
Foto de Valesca Ponciano - foto Mondir.








Estação Sumidouro
Estive no local da Estação em: 25 de janeiro de 2017
Inaugurada em: 1886
Ramal: Ramal de Sumidouro
Situação atual – A Estação não existe mais.





História:

Originalmente o Ramal de Sumidouro foi aberto ao tráfego pela Cia. Estrada de Ferro do Sumidouro ligando Melo Barreto - MG a fazenda Bella Joana, onde existia a primeira estação com o nome Sumidouro. Logo depois da abertura ao tráfego aconteceu sua compra pela Leopoldina em 1885, que a prolongou até a nova Estação Sumidouro em 1886, ano de sua inauguração na hoje sede do Município, passando a antiga estação a chamar-se Bella Joana, pois ficava na fazenda de mesmo nome.
Em 1889 o Ramal chegava a Conselheiro Paulino, na linha do Cantagalo. 
A partir daí, os trens de passageiros corriam entre Melo Barreto e Nova Friburgo percorrendo um trecho da linha do Cantagalo.
A Estação de Sumidouro funcionou até 31 de maio de 1967, quando o Ramal foi definitivamente suprimido.

Acima, outro belo registro fotográfico da sempre festiva e movimentada chegada da composição na estação.


Outro belo registro do acervo do Pró-Memória Sumidouro e de Valesca Ponciano – foto Mondir.



Acima, a Estação de Sumidouro em primeiro plano.


Minha visita:

No dia 25 de janeiro percorri o belíssimo trecho do Ramal de Sumidouro visitando estações, túneis, pontes e caixas d’água pelo antigo leito da ferrovia.
Inicio as publicações desta verdadeira expedição nas linhas da Leopoldina pela estação que deu nome ao ramal: SUMIDOURO.
Lá fui muito bem recebido por Aurinho Torres, que deverá assumir uma nova secretaria a ser criada na Prefeitura de Sumidouro responsável pela área de Cultura e Turismo. Marcelo Almeida, responsável pelo Centro de Documentação Histórica Pró-Memória, divisão da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e pela fotógrafa Joséli Chapeta, que também deverá atuar na nova secretaria.
Para nós que trabalhamos incansavelmente pela preservação da história - aqui, da estrada de Ferro Leopoldina e da ferrovia em nosso País de modo geral - é extremamente gratificante quando encontramos pessoas diretamente ligadas à administração pública preocupadas e interessadas em preservar a história local.
No caso de Sumidouro, tornou-se mais gratificante e interessante pelo fato de buscarem o resgate e a preservação de sua história tanto culturalmente quanto no potencial turístico que ela representa. 
Foi uma visita extremamente produtiva e agradável visitando as belas colunas da Ponte Seca, verdadeiro monumento histórico local, além dos três túneis de Murineli, que serão motivo de outra publicação aqui no blog.

Acima, um belo registro fotográfico da inauguração da Ponte Seca em 1888.







Acima, muito bem acompanhado de Marcelo do Pró- Memória Sumidouro e Aurinho Torres.




Sobre a Ponte Seca:

Seu nome não é alusivo apenas ao fato de não ter sido construída sobre um riacho, tão pouco sobre vão entre duas montanhas ou morros, mas é principalmente por ser uma ponte em curva construída com o objetivo de alcançar o raio de curvatura exigido para a construção da linha férrea visando contornar o morro onde está localizada. Ou seja: para alcançar este raio de curvatura exigido ergueram as belas e históricas colunas.

Desativada a ferrovia e a ponte deste 1967, hoje só restam as belas e imponentes colunas da antiga Ponte Seca, cartão postal e patrimônio histórico da cidade de Sumidouro.

















Em minha visita a Sumidouro, tive a oportunidade de conhecer o belo atrativo Pedra Duas Irmãs, um portal natural de entrada para o bairro. Duas gigantescas pedras que se deslocaram em um grande desmoronamento, vindo a se encaixar e se apoiar com perfeição uma na outra, tornando-se o portal de entrada do bairro que recebeu o mesmo nome do monumento natural - Bairro Duas Irmãs
Conheça um pouco mais no relato de Marcelo, do Pró-Memória Sumidouro:
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"O Portal “Pedra Duas Irmãs” é mais um dos atrativos de Sumidouro. Não se sabe quando ocorreu, mas pelas evidências de ocorrências parecidas pela localidade e região, o Portal é resultante de um processo milenar de erosão dos grandes afloramentos de rocha que formam as montanhas de pedra, característica tão marcante na região. Os grandes blocos se desprendem das encostas e rolam morro abaixo vindo parar nos vales. O que chama a atenção é a forma exótica em que elas se acomodaram uma sobre a outra, formando o raro pórtico de entrada do Bairro Duas Irmãs. Antes da criação do bairro, o local - por onde também passa o rio Paquequer - e todo o seu entorno havia recebido o nome de Recanto Duas Irmãs.
Ou seja, tudo aconteceu bem antes da criação da comunidade. Existem várias outras formações de cavernas e grutas que também são resultantes deste processo de erosão que vem ocorrendo há centenas de milhares de anos. Inclusive o túnel subterrâneo por onde o rio Paquequer desaparece para ressurgir 300 metros adiante no leito rochoso."






terça-feira, 24 de janeiro de 2017

ESTAÇÃO NOGUEIRA - Hoje um maravilhoso Centro Cultural.












Estação Nogueira
Estive na Estação em: 06 de janeiro de 2017
Inaugurada em: 10 de junho de 1908
Ramal: Linha do Norte – Km 99,462 (1960)
Situação atual – Desativada em 1964, é hoje o belo Centro Cultural Estação Nogueira.





Continuando minhas “andanças” pela Ferrovia Príncipe Grão Pará, cheguei à Estação Nogueira
Confesso que tinha enorme expectativa em conhecê-la, já que muitos amigos e historiadores ferroviários já haviam visitado e traziam sempre informações empolgantes e fotos sensacionais. Tanto que mesmo sem ter visitado Nogueira antes, já temos três belas postagens sobre ela e o Centro Cultural Estação Nogueira, como pode ser visto nos seguintes link's:

http://otremexpresso.blogspot.com.br/2016/06/novas-noticias-da-estacao-nogueira.html

http://otremexpresso.blogspot.com.br/2016/06/estacao-nogueira-locomotiva-baroneza-ii.html

http://otremexpresso.blogspot.com.br/2016/06/estacao-nogueira-hoje-belissimo-centro.html

















Minha visita:
Após percorrer o Ramal de São José do Vale do Rio Preto, cheguei à Estação Nogueira por volta das 15h00 sendo muito bem recebido por Glória V. Moreira, bibliotecária do Espaço Cultural que me apresentou todas as salas temáticas e explicou com detalhes os projetos culturais desenvolvidos no belíssimo espaço. O legal de tudo isso é que há todo momento éramos interrompidos por novos visitantes, comprovando o sucesso do Centro Cultural.
O que dizer? 
Por fora, uma Estação belíssima, entorno bem cuidado, a elegante Baroneza II exposta ao lado da Estação com grande imponência. 
Por dentro, um belíssimo acervo resgatando a importância histórica da ferrovia e um espaço cultural de valor incalculável, encantador!
Valeu a visita! 

Quero deixar registrado também a atenção, simpatia e profissionalismo de Glória. Assim que cheguei e me apresentei, contei-lhe dos lugares que já tinha passado naquele dia, histórias, belezas e encantos da Estrada de Ferro Príncipe Grão Pará, além do trabalho no blog otremexpresso. Enquanto sai para as fotos externas ela já recebia outros visitantes, lhes prestava informações e lhes contavam as histórias que havíamos conversado há pouco sobre o antigo ramal de São José do Vale do Rio Preto do qual Nogueira fazia parte. 
Pude presenciar este momento e confesso que fiquei extremamente agradecido por ver um trabalho que realizo com grande paixão ser levado a outras pessoas que também amam a história da ferrovia em nossa região e em nosso País.








"Estação Nogueira - BREVE HISTORICO em texto de João Sérgio da Silva e Junior e Marcos Vinicius L. Carvalho da Silva."
- O bairro Nogueira nasceu da Fazenda Nogueira, que era propriedade do Sr. Domingos de Souza Nogueira, português, industrial e empreendedor. A ele se deve em grande parte a construção da Estação Ferroviária de Nogueira, inaugurada em 10 de junho de 1908, entre Itaipava e Cascatinha. Instalada na linha da Leopoldina Railway, antiga Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, a estação tem sua construção retangular em alvenaria de tijolos aparentes, telhado em duas águas de inclinações diferentes e vãos em verga reta. As fachadas são realçadas, havendo um alpendre com estrutura de ferro e madeira, voltado para a linha do trem, cobrindo a plataforma de embarque e desembarque de passageiros e cargas. Esta estação se distingue das demais existentes no município de Petrópolis pelo fato de suas paredes externas não serem rebocadas e pintadas. Para festejar a construção da Estação de Nogueira como importante melhoramento local, o Sr. Domingos Nogueira ofereceu um grande almoço às pessoas convidadas a assistirem a inauguração, e a superintendência da Cia. Leopoldina gentilmente colocou um trem especial à disposição dos convidados. A Estação Ferroviária de Nogueira, assim como as demais, tinha como finalidade promover as operações relativas à circulação dos trens, ao uso do material rodante e as relações entre ela e o público no que dizia respeito ao transporte. Na estação operavam Agentes, Auxiliares de Agentes, Cabineiros, Guarda-chaves, e vários outros trabalhadores. Esta era utilizada para o transporte de passageiros que moravam no interior e para o transporte de cargas como: gado, café, leite, legumes e verduras, além de comunicação através do telégrafo, aparelho para comunicação a distancia usado para diversos fins, entre outros, telegramas particulares. Os trens da linha Grão-Pará circulavam em dois horários, um pela manhã, passando por Nogueira em direção a Três Rios as 08:44 hs, e outro a noite seguindo para Petrópolis às 18:51 horas (o fluxo de trens poderia aumentar de acordo com o número de passageiros e quantidade de cargas). As locomotivas, também conhecidas no interior como "mata-sapos", transportavam além de cargas, vagões de passageiros muito confortáveis, cada um com quarenta assentos estofados e encosto de palhinha. Havia um toalete bem pequeno em cada ponta, os vidros das janelas eram filetados com desenhos em jato de areia, o charme sobre os trilhos, que passaram durante décadas por Nogueira e sua Estação. O que se conhece pouco da estrada é o trecho rural, pois a aristocracia descia na Estação Leopoldina, no centro de Petrópolis, não passando por Cascatinha, Correas, Nogueira, Itaipava e Pedro do Rio, que na época eram apenas grandes fazendas, e assim não havia muito para ver, salvo as poucas vezes em que o Imperador seguia até a Fazenda das Águas Claras, propriedade de seu amigo, Guilherme de Souza Leite, o Barão de Águas Claras, importante cafeicultor da época. Mesmo sem muitos registros históricos, é possível afirmar que o trem auxiliou o povoamento e desenvolvimento dessas regiões, já que as estradas de ferro conduziam em seus trilhos, além de cargas e passageiros, o progresso até as regiões mais distantes. No tempo em que a ferrovia não chegava a Juiz de Fora, era por aqui que Minas Gerais enviava sua produção de café para o porto do Rio de Janeiro e dali para o exterior. O caminho que era feito pelo trem é até hoje conhecido, e chamado de "Estrada Mineira". As relações entre a estação e sua linha foram harmônicas, até 5 de maio de 1964, último dia da viagem do trem nesta região, deixando sua marca no presente, e a lembrança remota do sonho progressista, que durante décadas impulsionou o desenvolvimento do País".