sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

PONTE DOS INGLESES e ESTAÇÃO PIRACEMA pelas lentes de Jean Ferreira Cerqueira.







Recebi do amigo de Três Rios-RJ Jean Ferreira Cerqueira, colaborador de nosso blog, belíssimos registros fotográficos e um relato do que foi “desbravar” o antigo leito da Estrada de Ferro Leopoldina na divisa do Estado do Rio de Janeiro com Minas Gerais, mais especificamente os caminhos que o levaram à Estação de Piracema e a pequena parada em Praia Perdida (parada esta sem vestígios de sua existência na mata), além da belíssima e famosa Ponte dos Ingleses. Pelo caminho, encontrou também outras pequenas pontes num cenário espetacular.
Vamos ao relato de Jean, oportunidade de sentir a experiência vivida por ele neste belo trabalho de preservação da história ferroviária:

“Ola!
Trago aos amigos leitores um pouco da experiência que vivi nestas últimas semanas em minha expedição pelos caminhos da Estrada de Ferro Leopoldina/Leopoldina Railway em terras fluminenses.
A princípio, minha intenção por ser biólogo era estudar a capacidade de regeneração da mata regional em relação a ação humana em ambientes naturais, já que na área da Fazenda Piracema e da Fazenda do Travessão existe um complexo hidroelétrico que modificou drasticamente a região, aliado a uma antiga estrada de ferro desativada a mais de 40 anos, mas já nos primeiros quilômetros, este meu propósito mudou completamente de rumo.
Percorri 14,73 Km (9,16 milhas) e neste caminho encontrei 3 pequenas pontes sobre arroios, uma ponte de médio porte escondida por entre as arvores da mata e a maior delas por sobre o rio Paraibuna, a famosa Ponte dos Ingleses.
Neste trecho existiam duas paradas, a Estação de Piracema e a Estação de Praia Perdida - que não obtive sucesso em achá-la entre o mato.
Os mais de 40 anos da erradicação desta linha foi realmente bem eficiente, pois quase não se vê o verdadeiro leito da antiga malha ferroviária dentro da mata. Você sabe que esta lá, você sente, isso graças aos seixos largados para trás desde a época de erradicação total desta linha.
Foram quase 5 km’s deste caminho trilhado em meio a mata fechada e capinheira alta. Tendo somente meu facão e coragem, encarei o velho leito ferroviário e hoje fico feliz em ter vivido esta experiência única da redescoberta desta história maravilhosa que eu conhecia, mas não tinha vivenciado, o marco de divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Cheguei domingo, 08 de janeiro de 2018, a Ponte dos Inglêses, uma espetacular obra de gringos!
Revirando a história, vi que em 1893 a administração da Estrada de Ferro passou das mãos de brasileiros para os escritórios de Londres e com isso mudou-se o nome para "The Leopoldina Railway Company Limited", um marco de virada na história ferroviária brasileira. Então nesta época iniciou-se a integração da zona da mata mineira com a capital "Rio de Janeiro".
Bom amigos, nestes dias pude ver também quanta diversidade existe em nossa região, aves, espécies botânicos, variedades de lepidópteros, Répteis e é claro, muita, mais muita história bacana e esquecida desta ferrovia!!

Jean F. Cerqueira”




Pequeno pontilhão no caminho para Piracema.






Seguindo em frente, outra bela ponte escondida na mata.















Na seqüência abaixo, uma Casa de Turma no caminho para a Estação Piracema.




 



Belos cenários pelo caminho. É a natureza retomando seu espaço.




Enfim, Estação Piracema.










Pelas lentes de Jean Ferreira Cerqueira a bela Ponte dos Ingleses ficou ainda mais bela. 









sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ESTAÇÃO PIRACEMA - Partindo de Três Rios, a primeira parada de quem seguia pela Linha de Caratinga.





Estação Piracema

Não estive na Estação.
Fotos de Leandro d’Ornellas em: 30 de novembro de 2017
Inaugurada em: 01 de outubro de 1904
Ramal de Caratinga - km 131,537 (1960)
Situação atual - Abandonada.







Graças ao amigo e colaborador Leandro d’Ornellas, trago hoje a Estação Piracema, localizada na fazenda de mesmo nome. Leandro esteve no local em 30 de novembro de 2017 e fez os belíssimos registros que passamos a apresentar.

Em Três Rios existia um grande entroncamento ferroviário onde a Central do Brasil se encontrava com a Estrada de Ferro Leopoldina.
Seguindo pela linha da Leopoldina chegava-se ao triângulo onde ela se dividia em dois ramais: a Linha de Caratinga, à esquerda e a Linha de Manhuassú seguindo-se pela direita. Partindo em direção à Zona da Mata mineira pela linha de Caratinga, a primeira parada acontecia na Estação Piracema.

Localizada na área rural de Três Rios, a Estação de Piracema ainda está lá, mesmo que abandonada, mantendo viva a história e as lembranças de que o Trem de Ferro passou um dia por ali.
Situada às margens do Rio Paraibuna, que marca a divisa dos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, a antiga estação – como muitas estações e paradas pelos caminhos rurais da Leopoldina – era o ponto de escoamento da produção rural - nos primeiros tempos com o café, em seguida com os demais gêneros produzidos naquela região.

Os últimos trens com passageiros passaram pela Estação de Piracema no final da década de 1970. Após a suspensão definitiva do tráfego de trens, tudo foi abandonado e os trilhos arrancados, ficando apenas o triste silêncio. Mas é impossível chegarmos a lugares como este e não sentir uma “energia” diferente. Basta fecharmos os olhos para deixar a imaginação fluir, trazendo lembranças do trem de ferro apitando por entre as montanhas...

Abaixo, o relato da "expedição" a Piracema realizada por Leandro d'Ornellas:
“O desejo de procurar a Estação de Piracema nasceu depois de visitar este blog, que ainda não tinha fotos da construção. Também serviu de motivação o fato de que esta é possivelmente a única estação ferroviária que ainda resiste no município de Três Rios, mesmo que precariamente.
No mês de agosto de 2017, fiz a primeira visita à estação. O acesso não foi fácil, pois ela se situa dentro da área de uma fazenda, que tem o mesmo nome da estação. O caseiro não permite a entrada de ciclistas. Usei, então, uma trilha que se inicia no Bairro Vila Paraíso, que só dá passagem a pé ou de bicicleta. Essa trilha é exatamente o antigo caminho que o trem fazia. Depois de alguns quilômetros, cheguei à casa de força da Usina de Santa Fé. Logo depois, cerca de 500 metros, encontrei a estação.
O prédio já não tinha telhado. Restaram somente as paredes. Embora esteja totalmente cercada por arame farpado, não havia nenhum sinal de conservação. Ao lado dele, existem duas construções, em estado um pouco melhor. Uma delas aparenta ter sido um armazém. Não há sinais de que tenha existido um povoado no entorno da estação.
Na mesma ocasião, minha intenção era chegar até a Estação Praia Perdida que era a última dentro do Estado do Rio antes da divisa com Minas. No entanto, o antigo leito da ferrovia - desativada há quatro décadas - foi tomado de volta pela natureza e virou uma floresta densa, que não permitiu que eu seguisse adiante.”




Pelos caminhos da Estrada de Ferro Leopoldina, a porteira da "Fazenda Piracema", próxima à estação de mesmo nome.