Homenagens dos Amigos

Por Gilder Maroco.


O Trenzinho do Caipira – Trilhos do Passado
O menino sentado em sua cadeirinha de ferro adaptada sobre o quadro da bicicleta Humber de seu pai, olhava admirado o movimento das rodas do trem com seus eixos excêntricos e as barras ligadas entre elas, enquanto esperava-o passar pelo cruzamento da Rua dos Operários com a Coronel Souza. O conjunto de rodas e eixos excêntricos fazia um movimento sem igual. Era um movimento hipnótico, que se juntava ao som do apito, caldeira e da água fumegante que caia no chão.
- Já viajou em um desses?
O menino percebeu que a pergunta era dirigida a ele. Apenas respondeu negativamente balançando a cabeça de um lado para o outro sem desgrudar o olhar da “Maria Fumaça”. Não queria perder nenhum detalhe, e a locomotiva e seus vagões eram mais importantes que responder a um desconhecido. Mesmo assim o homem insistiu:
- Pois então viaje! Faça como eu. Fui ao sul, ao nordeste e até a Amazônia para mostrar a minha música para os ribeirinhos. Hoje volto à cidade que serviu de refúgio para minha família quando a ira do marechal Floriano Peixoto caiu sobre meu pai, tudo por causa de uns artigos que não o agradaram muito. Eu era uma criança, assim como você.
O menino então resolveu olhar. Era um homem de terno, gravata colorida, chapéu e trazia na boca um charuto que fazia tanta ou mais fumaça que a locomotiva que ali passava.
E continuou: - Nos poucos anos que passei aqui, nas Minas Gerais, nas minhas viagens de trem pelo interior, no encontro com a vida rural, com o folclore da região, com cantadores e violeiros, que me inspirei. Esses me mostraram o caminho que deveria seguir, ao som desse trenzinho do caipira...
As pessoas já voltavam a transitar pela rua, a Maria Fumaça já havia liberado o cruzamento. O pai do menino pôs a bicicleta para andar. E o menino ouviu as últimas palavras da conversa:
- Meu caro amigo, eu sempre tenho prazer. Quando eu faço alguma coisa é porque tenho prazer. Brinque, brinque sempre, retire prazer de tudo o que fizer.
E no meio da bruma do charuto e do trem, um breve aceno de mão aconteceu entre eles.
E o trem se foi.
Gilder Maroco - 23/04/2017

O conto acima é uma ficção baseada em fatos reais. Para o meu amigo Amarildo José Mayrink que muito tem feito para preservar a memória dos trens que aqui circulavam.

1887
Nasce Heitor Villa-Lobos, no dia 5 de março, no Rio de Janeiro, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, filho de Noêmia e Raul Villa-Lobos.
1892 e 1893
Devido a uma perseguição sofrida por seu pai, que havia escrito artigos na imprensa carioca contra o marechal Floriano Peixoto, sua família vê-se obrigada a fugir do Rio de Janeiro. Durante uns seis meses, viajam pelo interior dos estados do Rio de Janeiro (Sapucaia) e de Minas Gerais (Bicas e Sant'Ana de Cataguazes). Datam dessa época as primeiras impressões musicais e o início do aprendizado do violoncelo, através de uma viola adaptada.

Homenagem recebida do amigo Gilder Maroco, publicada no facebook.
Sem dúvida, Gilder: é fundamental termos prazer na busca da realização de nossos sonhos.
Caro amigo, com prazer nossos sonhos podem ser realizados!


Por Humberto Carino Moreira.

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Corre pelas bocas

Que há um Trem rodando em Bicas,

Trazendo vagões de outro tempo,

Sobre firmes novos dormentes,

Uma saudade nada passageira...

 

Corre pelas bocas

Que há homens suando em Bicas

No trabalho de não deixar morrer

A memória desse Trem...

 

Sonho que em meio à fumaça e fuligem

Vive num ciberespaço de nuvem,

Em trilhos fincados num link

Uma composição pop art nouveau

Com partida de um coração Mayrink

E chegada na mente de um Dousseau.


Pequena homenagem a todos que, de alguma forma, preservam a memória da ferrovia.
Humberto Carino Moreira.
Agradeço ao amigo de caminhada e de sonhos pela homeangem recebida - Amarildo Mayrink.



Por Carlos Latuff.


Reconstituição - A velha Maria Fumaça nas serras de Bicas, presente do amigo Carlos Latuff.


Homenagem recebida do amigo Carlos Latuff, quando de sua visita ao antigo Posto Telegráfico de Telhas, na serra de Bicas.

Viajando na arte! Sem dúvida, uma bela lembrança deste grande momento.



Por Chicre Farhat.

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LINHAS DA BRAVURA


Conterrâneo e amigo, vereador e vice-prefeito,

ele se chama Amarildo Mayrink.

A vida pública abandonou nauseado e triste.

 

Lamentamos: ali estava a vocação dos

que decidem e mudam os rumos.

Pródigos não somos em homens assim.

Política tornou-se carnaval de mascarados.

Levado pelo espírito público, Mayrink

insultou-se com o fim da RFF, da Escola do SENAI,

do Liceu Operário.

 

Doía o blábláblá, o nhenhenhém,

carregado de mofo dos perversos (sacripantas)

Perder o Trem e Oficinas, no desvio da manobra

da indústria automobilística e das empreiteiras...

 

Nova trincheira abriu para registro da história perdida,

de 117 anos, de pioneirismo e progresso, chamado

pela esperteza de RAMAL DEFICITÁRIO!

(Trocar TRANSPORTE BARATO) pelo mais caro,

e (fechar escolas)

 

O audaz biquense correu atrás de uma

LOCOMOTIVA, simbolizando firmes raízes de lutas,

suor e sangue.

Já a conseguiu na altura de Belo Horizonte.

Mas ela só virá pagando o TRANSPORTE

NUM CAMINHÃO DE GUINDASTE!

 

Será ponto de Turismo, e lição dos que nunca se

ENTREGARAM BAIXANDO OS OLHOS DA HUMILHAÇÃO!

Não é o fim da linha, a TODOS DESAFIA!

Quem batalhou a 117 anos, formando cidades na

Mata Mineira, foi RAMAL DO PROGRESSO.

A Máquina não enguiçará nos trilhos, que tantos

SONHOS CONDUZIRAM.

Nem descarrilará no chão do Desengano.

A LOCOMOTIVA, que Amarildo Mayrink deseja

trazer, se possível, até nas costas, seja também

compromisso da CIDADE!

À POSTOS! Se já perdemos até o apito da oficina,

que sua lembrança desperte o povo, e resgatemos

A LOCOMOTIVA.

A memória dos ferroviários desbravadores,

honraremos para sempre!


Homenagem recebida do "amigo de infância", o Poeta biquense Chicre Farhat, publicado em seu mais novo livro de poemas "ÂNFORA DE  MEL".
Nosso sonho, caro amigo, pode ser realizado!


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