domingo, 25 de novembro de 2012

ESTAÇÃO TRÊS RIOS-RJ - Escolhida como ponto de partida e referência para as pesquisas do site.


Desde a elaboração do projeto da montagem deste site, optei focar todas as atenções na história da Estrada de Ferro Leopoldina na Zona da Mata Mineira, tendo como objetivo principal fazer um resgate fotográfico das estações, casas de turma, pontes, pontilhões, ruínas e tudo mais que lembrasse os áureos tempos da ferrovia em nossa região. Tendo dois importantes ramais como fonte de pesquisa - Caratinga (passando por Bicas) e Manhuaçú (pasando por Além Paraíba), escolhi como ponto de partida o Município de Três Rios, localizado bem próximo da divisa do Estado do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Além da Estação de Três Rios, apenas mais cinco estações fora do Estado de Minas Gerais irão aparecer neste trabalho. São elas: Triângulo, Anta, Sapucaia, Dona Emília e Porciúncula.  

Graças à imprecindível atenção ao nosso trabalho por parte do grande amigo Edson Honorato, falaremos hoje da Estação de Três Rios, com fotos e relatos de José A. de Vasconcelos, grande pesquisador ferroviário possuidor de belíssimo acervo fotográfico que nos permite viajar no tempo e relembrar importantes histórias da ferrovia.





Estive na Estação: NÃO

Inaugurada em 24 de maio de 1900

Linha Caratinga - km 125,095 (1960)





Acima e abaixo, a primeira Estação da antiga THE LEOPOLDINA RAILWAY em Três Rios, também chamada de “a Casa de Pedra” devido à utilização de pedras “marruadas” em sua construção, bem destacadas na sua aparência externa. Os trens, naquela época procediam do Rio de Janeiro, depois Petrópolis, e quando entrava em Triângulo, uma estação num bairro próximo ao centro de Três Rios, geralmente entravam na perna de uma linha em forma de triângulo, em direção ao interior, e retornava de ré e entrava na plataforma da "Casa de Pedra". Após o embarque/desembarque do pessoal/mercadorias, seguia de frente para Caratinga e/ou Manhuaçú. A estação durante muito tempo foi considerada uma importante obra da arquitetura ferroviária. Depois, com acordos entre dirigentes da Central do Brasil e da Leopoldina, os trens da Leopoldina passaram a sair da antiga estação da Central, localizada no centro “nervoso” de Três Rios.  A antiga Estação de Pedra passou a ser usada apenas para despachos e recepção de mercadorias durante mais algum tempo. Mais tarde, seu movimento se prendeu apenas ao movimento das oficinas de manutenção e conservação de carros de passageiros e vagões de carga. Essas oficinas ainda existiam na década de 90 a título precário.  Não sei se ainda existem, pois, já naquela época falava-se muito sobre o encerramento das atividades da mesma.




A mesma estação, mostrando parte do pátio das oficinas em processo de erradicação.





Nas fotos acima e abaixo, alguns carros de passageiros sucateados nas oficinas. Vê-se um "Trajano de Medeiros", oriundo da Central do Brasil, chamados na época de “BC” -  Bagagem-Correio entre outros materiais espalhados pelo pátio da dita oficina. Vemos também alguns carros “raridades”, como o carro dormitório e o “aço carbono”, uma gôndola, e outros  veículos se desintegrando sob as intempéries. Uma lástima. A  A.B.P.F. recebeu alguns carros em piores condições e hoje representam orgulho daquela entidade preservacionista. Os materiais rodantes estavam em boas condições.





Na foto acima, clicadas no final da década de 90 podemos observar o “esqueleto” do que foram as linhas originais para Bicas e Porto Novo. As primeiras foram todas retiradas sem retorno e as de Porto Novo sofreram algumas alterações conforme veremos em outra foto do antigo pátio de Três Rios. Na foto acima se observa a antiga e histórica guarita da E. F. Central do Brasil isolada no pátio.  Não foi demolida a pedido da administração da A.B.P.F.




Na foto abaixo, podemos observar o acima exposto de outro ângulo. Veja a largura do pátio de manobras de Três Rios; um verdadeiro cemitério de “esqueletos” de via permanente com dormentes “mal enterrados”. A faixa de terra das duas linhas de acesso a Bicas (lado direito) foram “doadas” à prefeitura e a linha foi totalmente extirpada desde Ligação até Três Rios.




Outra foto do pátio de Três Rios, com as linhas de Porto Novo e da Bitola Larga completamente alteradas do seu traçado original. Nesta foto podemos ver a antiga e histórica guarita da E. F. Central do Brasil mantida. Quanto às alterações das linhas no pátio, não tenho críticas; só não concordo com a retirada da linha de Bicas. 



Foto da “Ponte Seca”, na verdade uma ferrovia sobre a outra. Em cima, quando por ali passei de trem, na década de 70, havia somente bitola estreita. Em 1995 já havia linha mista com 3º e 4º trilho. Essa ponte está sendo vista no sentido Três Rios para Bicas.  Na década de 70 alguns agentes da estação de Três Rios faziam transbordos de óleo, de pedras britadas, carvão, ferro gusa e minérios em geral de trens de bitola estreita para estreita, porque não havia bitola larga naquele local. A implantação dos trilhos da bitola larga se deve a facilidade para transbordo entre ambas as bitolas. Não sei se esse serviço ainda existe tendo em vista que a bitola métrica, após o encerramento dos serviços na Serra de Miguel Pereira, praticamente, perdeu a finalidade.




Foto da “Ponte Seca”, observada em sentido Bicas para Três Rios.




Vista panorâmica da “Ponte Seca” mais recente, com um funil instalado para facilitar o transbordo de minérios.




Foto de um recorte de revista do ano de 1972 mostrando como era processado esse transbordo. O articulista cometeu um equívoco quando disse que aquela linha inferior da “Ponte Seca” pertenceria a Central, tendo em vista que desde o final do ano de 1959, as linhas entre Porto Novo e Japeri (bitola métrica) foram entregues a Leopoldina. Creio que ele quis dizer - R.F.F.S.A.





Foto da “Ponte Seca” clicada  de cima dessa ponte, na qual se observa os trilhos em direção a Porto Novo do Cunha. Observa-se o peculiar meio utilizado para transformar uma linha mista de quatro trilhos em uma continuação mista de três trilhos. Como não existe uma chave com pelo menos uma agulha, e nem contra trilhos, supõe-se que pela linha da direita somente poderiam circular composições para o interior. Mais intrigante é o “cotovelo” formado pelo afunilamento que nos faz supor o uso de velocidade baixíssima, visto que fora os trens de passageiros, as outras composições eram excessivamente pesadas. A volta deveria ser sempre pela outra linha onde possui apenas três trilhos.
Bem, posso estar enganado, mas não vejo outra solução...



terça-feira, 20 de novembro de 2012

LOCOMOTIVAS A VAPOR N° 1 e N° 7 - Um dia elas estiveram em Bicas.





Em mais uma visita ao Museu Ferroviário de Juiz de Fora, aproveitei para uma seção de fotos com as belíssimas Locomotivas a Vapor N° 1 e N° 7.
Todo cidadão biquense que viveu o período de atividades de nossas oficinas ferroviárias, em especial os próprios ferroviários da época, lembram-se bem das “meninas”.
A N° 1 apenas passou por reformas, mas a N° 7 foi totalmente reconstruída em nossas oficinas e ficaram belíssimas. A N° 7 foi a que mais nos marcou, pois aqui ficou por muitos anos exposta próxima ao portão de entrada das antigas oficinas  estacionada ao lado de uma pequena estação - aquela pequena estação bem próxima do prédio da prefeitura - construída exclusivamente para compor o belo cenário. Infelizmente, com a decisão de acabarem com nossas oficinas, as locomotivas foram removidas de Bicas e hoje estão expostas no Museu Ferroviário de Juiz de Fora.
Como lembrança, apenas fotos da época e uma placa afixada na traseira da 07 onde se lê: RFFSA – Reconstruída na Oficina de Bicas em 1984.
A pequena estação construída para abrigá-la ainda está lá, mas ficou um enorme vazio, que se completa de forma extremamente melancólica quando vemos a imensa área que um dia foi uma das mais importantes oficinas da Estrada de Ferro Leopoldina.















A N° 7 compunha um belo cenário. 

Não... ela não poderia ter saído daqui...




Em mais um triste momento que marcou o fim da ferrovia em Bicas, o embarque das Locomotivas N° 1 e N° 7.

Levaram tudo! Levaram as mais belas páginas da história de nossa cidade.




quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos, com os alunos do Centro Educacional Aquarela, Bicas-MG.


Belíssima interpretação de "O Trenzinho do Caipira" apresentada pelos alunos do Centro Educacional Aquarela, Bicas – MG conduzidos pela criatividade e sensibilidade da Professora Flávia Barbosa Borges na VI EXPOARTE com o tema "Bicas de outrora, Bicas de agora...", uma singela homenagem à memória histórica da ferrovia para a cidade de Bicas e seus ferroviários, para o Estado de Minas Gerais e para o Brasil.





“O TRENZINHO DO CAIPIRA”
Heitor Villa-Lobos, compositor, maestro e músico brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 1887 e faleceu em 1959.
Durante sua infância, veio com sua família para Minas Gerais e morou durante algum tempo em nossa querida cidade BICAS e aqui se encantou com as sonoridades do trem de ferro.
Dessa época ganhou o apelido de “TU-HU” porque tinha mania de ficar imitando o barulho do apito do trem (“tu-huuuu”).
Era incrível como tudo o que Villa-Lobos ouvia, mais cedo ou mais tarde, se transformava em música.
E foi assim que compôs “O Trenzinho do Caipira”: das lembranças sonoras guardadas em sua memória.

 


“O Trenzinho do Caipira”
Música: Heitor Villa-Lobos           Letra: Ferreira Gullar

Lá vai o trem com o menino                   Lá vai o trem sem destino                Cantando pela serra do luar
Lá vai a vida a rodar                              Pro dia novo encontrar                     Correndo entre as estrelas a voar
Lá vai ciranda e destino                        Correndo vai pela terra                    No ar, no ar, no ar...
Cidade noite a girar                              Vai pela serra
                                                              Vai pelo mar




domingo, 4 de novembro de 2012

ESTAÇÃO RIBEIRO JUNQUEIRA - Distrito de Leopoldina.








Estive na Estação em maio de 2012

Inaugurada em julho de 1874

Linha do Centro - km 321,095 (1960)






Distrito de Leopoldina, Ribeiro Junqueira possui bela Estação Ferroviária ao lado da linha por onde passam os trens de minério da FCA transportando bauxita vinda de Barão de Camargo, em Cataguases. Hoje no prédio da estação funcionam o Destacamento Policial da comunidade, um Telecentro Municipal, um posto dos Correios e uma Biblioteca Municipal, fazendo com que o prédio passe por constantes obras de manutenção que a deixam sempre muito bonita.
A estação foi inaugurada em 1874 com o nome de Campo Limpo. Para mim, é sempre uma emoção especial ver trens circulando pelas antigas linhas da Leopoldina, mesmo que sejam trens de minério.   
















Abaixo, ontem/hoje em Ribeiro Junqueira.