Acima, raríssimo e belo registro da 1ª Estação de Silveira Lobo, de onde o Trem seguia para a Estação de Serraria pela E. F. União Mineira.
Abaixo, num ângulo aproximado, a base em pedras da 1ª Estação, bem como sua Plataforma ainda está lá, com restos de uma construção feita muito tempo depois de sua demolição.
Na foto abaixo, uma visão mais aproximada da antiga plataforma da 1ª Estação Silveira Lobo.
Na sequência abaixo, a base da 1ª Estação Silveira Lobo vista de vários ângulos. Impressiona a resistência da base e da Plataforma em pedras construídas há tantos anos, mais precisamente, há 146 anos atrás.
1ª Estação SILVEIRA LOBO
Município: Santana do Deserto-MG
Ramal de Serraria - E. F. União Mineira – Aproximadamente 3Km antes da 2ª e atual Estação Silveira Lobo.
Altitude: ?
Estação inaugurada em: 1879.
Estive no local em: Julho de 2025.
Uso atual: Desconhecido, com um início de construção abandonada.
Situação Atual – Trecho erradicado com a inauguração da nova Estação Silveira Lobo em 1904.
E. F. União Mineira (1879-1884)
Leopoldina Railway (1884-1904)
HISTÓRICO:
Pouco se sabe desta
primeira Estação de Silveira Lobo. Inaugurada em 1879
pela E. F. União Mineira, uma Estação com histórico quase que
desconhecido. O que muitos não sabem é que prédio da Estação de Silveira Lobo
existente ainda nos dias de hoje foi inaugurado em 1904, mas na verdade,
trata-se da segunda Estação com esse nome.
A primeira Estação de
Silveira Lobo inaugurada em 1879 ficava em outro local, no
antigo Ramal de Serraria da E. F. União Mineira (desativado em
1904). Este Ramal ligava a Estação de Serraria - na linha do Centro da
EFCB - às cidades de Bicas e Pequeri. Esse trecho primitivo reserva
grandes curiosidades, como um zigue-zague – o primeiro
do Brasil – que será descrito com mais detalhe logo abaixo.
Com a desativação do antigo Ramal
de Serraria, a linha passou a ser ligada diretamente com a Estação de Três
Rios, sendo então construída uma "nova Estação Silveira Lobo", prédio que existe
até os dias de hoje.
A
ESTAÇÃO:
Seguindo a indicação de Márcio Cardoso, leitor de nossa página e grande amigo, retornei a Santana do Deserto e encontrei o que
restou da primeira Estação Silveira Lobo.
Exatamente como Márcio havia me indicado, a Plataforma da Estação primitiva
ainda existe, localizada em um pequeno trevo à beira da rodovia AMG3070,
rodovia que liga a BR-040 ao município de Santana do Deserto-MG, há
aproximadamente 3 km da 2ª e atual Estação Silveira Lobo. A primitiva base e a plataforma estão localizadas bem no início de uma estrada vicinal que leva a Serraria, estrada que provavelmente aproveitou parte do antigo leito ferroviário da E. F. União
Mineira. Sobre a plataforma original da primitiva Estação - extinta há mais de cem anos - restos de uma construção feita muito tempo depois
de sua demolição. Mas a antiga
plataforma e toda a base de pedras do prédio original ainda estão lá. Foi
realmente gratificante encontrá-la!
Localizada em um pequeno trevo à beira da rodovia AMG3070, rodovia que liga a BR-040 ao município de Santana do Deserto-MG, há aproximadamente 3 km da 2ª e atual Estação Silveira Lobo.
Abaixo, recortes da página http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_mg_tresrios_caratinga/silvlobo.htm na citação sobre a primeira Estação de Silveira Lobo.

O ZIGUE-ZAGUE:
Em grande e concorrida Assembléia
Geral dos Acionistas realizada em 31 de janeiro de 1878, no Rio de
Janeiro, foi apresentado pela diretoria o Primeiro Relatório da Estrada
de Ferro União Mineira para a construção da linha férrea da Serraria
até São João Nepomuceno, de onde destaco o interessante apontamento sobre
a construção de um zigue-zague na serra do Macuco, que despertou em
mim o grande desejo de um dia poder conhecer o local onde ele existiu. Sem
dúvida, uma das maiores curiosidades em minhas pesquisas pelos caminhos da
Leopoldina:
“...deram os empreiteiros o
começo dos trabalhos de terra a 8 de setembro, atacando o maior corte que temos
em nossa linha no ponto culminante da serra do Macuco. Mede este corte 18
metros de alto, subindo sua encubação a 24.000m³ cúbicos de terra. É essa serra
sem dúvida o mais frisante das centenas de contos que podem poupar uma boa
exploração. De um terreno extremamente acidentado, cheio de fundas grotas e
apertados espigões, absorveu-nos ela alguns meses, em que foram estudados
vários traçados, que por dispendiosos tivemos que abandonar, resolvendo-nos
afinal a empregar um pequeno zigue-zague, em que com um recuamento de 800
metros conseguimos um traçado extraordinariamente mais econômico, tendo poupado
sem aumento de declividades um kilômetro de linha, evitando um viaduto com 17°
de alto e substituído o único túnel projetado pelo corte acima referido. É a
primeira vez que se emprega no Brasil este sistema de zigue-zague, com jogo de
chave de recuamento de trem.”
O site Estações
Ferroviárias do Brasil, de Ralfh Mennucci Giesbrecht traz outro
importante apontamento sobre o zigue-zague apresentando o trecho do Diário
de Dom Pedro II, vol. 25, de 27 de abril de 1881(aª fa), copiado de José
Carlos Barroso – Cessão Marcus Granado). Dom Pedro II andou na União Mineira
passando por Bicas, em 1881:
-"(...) 5 ½ Acordei. Vou
ler. Saio às 7h. Caminho conhecido até Serraria. Cheguei às 8 ¾ a Juiz de Fora.
A cidade tem aumentado muito. Bela avenida com bonitas casas que devem
arborizar. Almocei numa destas que é do Barão de Cataguazes. Partida do trem às
11h 10'. Nada de novo até Serraria. Aí entramos no trem da Estrada de Ferro da
União Mineira. Percorremos 84km até o arraial - vila ainda não instalada de S.
João de Nepomuceno. A estrada para subir parte da serra do Macuco
tem 2 ziguezagues com plataformas. Tem 7 Estações pequenas porém
bem construídas conforme a aparência. Vista muito bela assim como mato viçoso
de Bicas para diante. Descobre-se amplo vale fechado por altas montanhas, e
perto de S. João avista-se a alta serra do descoberto de contorno original.
Grande número de quilômetros a começar da Serraria passa a estrada por fazendas
de café muito bem plantadas e algumas com casas feitas com bom gosto. Há
interrupção de terras tão boas para voltarem estas. Vim conversando com o
engenheiro Betim cuja direção inteligente e ativa revela-se no modo porque a
estrada foi construída e tendo trilhos de aço, e com o desembargador Pedro de
Alcântara Cerqueira Leite a cuja influência se deve sobretudo a estrada que é
de bitola de um metro. (...)"
Na sequência Abaixo, mais uma sequência da base da 1ª Estação Silveira Lobo vista de vários ângulos. Sua base e a Plataforma em pedras, construída há 146 anos atrás, resiste ao tempo mantendo viva a história.