quarta-feira, 30 de julho de 2025

ESTAÇÃO ATÍLIO VIVACQUA - Hoje, um belo Centro Cultural da cidade.

Acima e abaixo, a Estação de Atílio Vivacqua sob o olhar de Paulo Neiva Pinheiro.


Acima e abaixo, a Estação de Atílio Vivacqua sob o olhar de Da Silva Junior.


Na sequência abaixo, a Estação de Atílio Vivacqua em belos registros de Paulo Neiva Pinheiro.

Histórico registro da Estação ainda sob o nome "Marapé" por volta de 1964.


Na sequência abaixo, a Estação de Atílio Vivacqua em belos registros de Da Silva Junior.





Paulo Neiva Pinheiro e a Estação de Atílio Vivacqua em outubro de 2021.


Da Silva Junior na Estação de Atílio Vivacqua em uma de suas visitas.




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Estação ATÍLIO VIVACQUA

Antiga São Felipe e Marapé 


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Município: Atílio Vivacqua-ES

Linha Do Litoral - Km 460,112 (1960)

Altitude: 76 m

Estação inaugurada em: 23 de julho de 1903

Estive no local em:  Ainda não visitei a Estação. Fotos dos amigos Da Silva Junior e Paulo Neiva Pinheiro.

Uso atual: Centro Cultural.

Situação Atual – Tráfego suspenso, com trilhos. 


E. F. Leopoldina ( 1903 -1975)

RFFSA (1975-1996)

FCA (1996 - ...)



HISTÓRICO DA LINHA: 

Conforme cita o site estacoesferroviarias, de Ralph Mennucci Giesbrecht...  “O que mais tarde foi chamada "Linha do Litoral" foi construída por diversas companhias, em épocas diferentes, empresas que acabaram sendo incorporadas pela Leopoldina até a primeira década do século XX. O primeiro trecho, Niterói-Rio Bonito, foi entregue entre 1874 e 1880 pela Cia. Ferro-Carril Niteroiense, constituída em 1871, e depois absorvida pela Cia. E. F. Macaé a Campos. Em 1887, a Leopoldina comprou o trecho. A Macaé-Campos, por sua vez, havia construído e entregue o trecho de Macaé a Campos entre 1874 e 1875. O trecho seguinte, Campos-Cachoeiro do Itapemirim, foi construído pela E. F. Carangola em 1877 e 1878; em 1890 essa empresa foi comprada pela E. F. Barão de Araruama, que no mesmo ano foi vendida à Leopoldina. O trecho até Vitória foi construído em parte pela E. F. Sul do Espírito Santo e vendido à Leopoldina em 1907. Em 1907, a Leopoldina construiu uma ponte sobre o rio Paraíba em Campos, unindo os dois trechos ao norte e ao sul do rio. No início dos anos 80 deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória. A partir de 1996 a linha funcionou para cargueiros por mais alguns anos sendo operada pela FCA. ”


A ESTAÇÃO:

Contando mais uma vez com as sempre importantes contribuições de Paulo Neiva Pinheiro e de Da Silva Junior , chegamos à Estação Atílio Vivacqua.

Paulo Neiva Pinheiro esteve na Estação Atílio Vivacqua em outubro de 2021 e traz seu relato...

“Inicialmente chamada de São Felipe quando foi aberta em 1903, a Estação de Atílio Vivacqua foi construída somente após o ano de 1901, quando a Leopoldina ganhou o litígio de posse do trecho num processo de mais de dois anos. Nos anos 1940, a Estação passou a se chamar Marapé. Nos anos 1970, finalmente passou a se chamar Atílio Vivacqua, nome que mantém até hoje. Está muito bem conservada e funciona como Centro Cultural da cidade.” 



Da Silva Junior esteve na Estação Atílio Vivacqua em 2020 e 2025 e traz seu relato...

“A Estação foi aberta em 1903 sob o nome de São Felipe. Nos anos 1940, a Estação passou a se chamar Marapé para, nos anos 1970 ter seu nome alterado novamente para Atilio Vivacqua, nome que mantém até hoje. Visitei a Estação pela primeira vez em 2020. Depois de cinco anos, retornei em 2025 ao local e pude ver o como é a Estação por dentro, visitar o pequeno Museu e a Biblioteca Municipal que funcionam na Estação.”



Comentário de Edmundo Siqueira, Resumo Histórico da Leopoldina Railway, 1938...

"A quarta Estação projetada na ponte do Werneck, quilômetro 70 poderá fornecer, das fazendas dos arredores, cerca de 20.000 arrobas"


Na sequência abaixo, registros da Estação de Atílio Vivacqua em detalhe, por Paulo Neiva Pinheiro. 













Na sequência abaixo, registros do Museu Ferroviário que funciona na Estação de Atílio Vivacqua, por Da Silva Junior. 











Convite para a grande comemoração dos 122 anos da Estação Ferroviária, em 2 de agosto de 2025.




sábado, 26 de julho de 2025

A Primeira Estação SILVEIRA LOBO - Nos tempos em que a E. F. União Mineira partia de Serraria.

Acima, raríssimo e belo registro da 1ª Estação de Silveira Lobo, de onde o Trem seguia para a Estação de Serraria pela E. F. União Mineira.

Abaixo, num ângulo aproximado, a base em pedras da 1ª Estação, bem como sua Plataforma ainda está lá, com restos de uma construção feita muito tempo depois de sua demolição.


Na foto abaixo, uma visão mais aproximada da antiga plataforma da 1ª Estação Silveira Lobo. 

Na sequência abaixo, a base da 1ª Estação Silveira Lobo vista de vários ângulos. Impressiona a resistência da base e da Plataforma em pedras construídas há tantos anos, mais precisamente, há 146 anos atrás.










1ª Estação SILVEIRA LOBO



Município: Santana do Deserto-MG
Ramal de Serraria - E. F. União Mineira – Aproximadamente 3Km antes da 2ª e atual Estação Silveira Lobo.
Altitude:  ?
Estação inaugurada em: 1879.
Estive no local em: Julho de 2025.
Uso atual: Desconhecido, com um início de construção abandonada. 
Situação Atual – Trecho erradicado com a inauguração da nova Estação Silveira Lobo em 1904. 

E. F. União Mineira (1879-1884)
Leopoldina Railway (1884-1904)


HISTÓRICO:

Pouco se sabe desta primeira Estação de Silveira Lobo. Inaugurada em 1879 pela E. F. União Mineira, uma Estação com histórico quase que desconhecido. O que muitos não sabem é que prédio da Estação de Silveira Lobo existente ainda nos dias de hoje foi inaugurado em 1904, mas na verdade, trata-se da segunda Estação com esse nome. 

A primeira Estação de Silveira Lobo inaugurada em 1879 ficava em outro local, no antigo Ramal de Serraria da E. F. União Mineira (desativado em 1904). Este Ramal ligava a Estação de Serraria - na linha do Centro da EFCB - às cidades de Bicas e Pequeri. Esse trecho primitivo reserva grandes curiosidades, como um zigue-zague – o primeiro do Brasil – que será descrito com mais detalhe logo abaixo. 

Com a desativação do antigo Ramal de Serraria, a linha passou a ser ligada diretamente com a Estação de Três Rios, sendo então construída uma "nova Estação Silveira Lobo", prédio que existe até os dias de hoje.


A ESTAÇÃO:

Seguindo a indicação de Márcio Cardoso, leitor de nossa página e grande amigo, retornei a Santana do Deserto e encontrei o que restou da primeira Estação Silveira Lobo. Exatamente como Márcio havia me indicado, a Plataforma da Estação primitiva ainda existe, localizada em um pequeno trevo à beira da rodovia AMG3070, rodovia que liga a BR-040 ao município de Santana do Deserto-MG, há aproximadamente 3 km da 2ª e atual Estação Silveira Lobo. A primitiva base e a plataforma estão localizadas bem no início de uma estrada vicinal que leva a Serraria, estrada que provavelmente aproveitou parte do antigo leito ferroviário da E. F. União Mineira. Sobre a plataforma original da primitiva Estação - extinta há mais de cem anos - restos de uma construção feita muito tempo depois de sua demolição. Mas a antiga plataforma e toda a base de pedras do prédio original ainda estão lá. Foi realmente gratificante encontrá-la!


Localizada em um pequeno trevo à beira da rodovia AMG3070, rodovia que liga a BR-040 ao município de Santana do Deserto-MG, há aproximadamente 3 km da 2ª e atual Estação Silveira Lobo.


Abaixo, recortes da página http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_mg_tresrios_caratinga/silvlobo.htm na citação sobre a primeira Estação de Silveira Lobo.


O ZIGUE-ZAGUE:

Em grande e concorrida Assembléia Geral dos Acionistas realizada em 31 de janeiro de 1878, no Rio de Janeiro, foi apresentado pela diretoria o Primeiro Relatório da Estrada de Ferro União Mineira para a construção da linha férrea da Serraria até São João Nepomuceno, de onde destaco o interessante apontamento sobre a construção de um zigue-zague na serra do Macuco, que despertou em mim o grande desejo de um dia poder conhecer o local onde ele existiu. Sem dúvida, uma das maiores curiosidades em minhas pesquisas pelos caminhos da Leopoldina:

 “...deram os empreiteiros o começo dos trabalhos de terra a 8 de setembro, atacando o maior corte que temos em nossa linha no ponto culminante da serra do Macuco. Mede este corte 18 metros de alto, subindo sua encubação a 24.000m³ cúbicos de terra. É essa serra sem dúvida o mais frisante das centenas de contos que podem poupar uma boa exploração. De um terreno extremamente acidentado, cheio de fundas grotas e apertados espigões, absorveu-nos ela alguns meses, em que foram estudados vários traçados, que por dispendiosos tivemos que abandonar, resolvendo-nos afinal a empregar um pequeno zigue-zague, em que com um recuamento de 800 metros conseguimos um traçado extraordinariamente mais econômico, tendo poupado sem aumento de declividades um kilômetro de linha, evitando um viaduto com 17° de alto e substituído o único túnel projetado pelo corte acima referido. É a primeira vez que se emprega no Brasil este sistema de zigue-zague, com jogo de chave de recuamento de trem.”

 

O site Estações Ferroviárias do Brasil, de Ralfh Mennucci Giesbrecht traz outro importante apontamento sobre o zigue-zague apresentando o trecho do Diário de Dom Pedro II, vol. 25, de 27 de abril de 1881(aª fa), copiado de José Carlos Barroso – Cessão Marcus Granado). Dom Pedro II andou na União Mineira passando por Bicas, em 1881:

-"(...) 5 ½ Acordei. Vou ler. Saio às 7h. Caminho conhecido até Serraria. Cheguei às 8 ¾ a Juiz de Fora. A cidade tem aumentado muito. Bela avenida com bonitas casas que devem arborizar. Almocei numa destas que é do Barão de Cataguazes. Partida do trem às 11h 10'. Nada de novo até Serraria. Aí entramos no trem da Estrada de Ferro da União Mineira. Percorremos 84km até o arraial - vila ainda não instalada de S. João de Nepomuceno. A estrada para subir parte da serra do Macuco tem 2 ziguezagues com plataformas. Tem 7 Estações pequenas porém bem construídas conforme a aparência. Vista muito bela assim como mato viçoso de Bicas para diante. Descobre-se amplo vale fechado por altas montanhas, e perto de S. João avista-se a alta serra do descoberto de contorno original. Grande número de quilômetros a começar da Serraria passa a estrada por fazendas de café muito bem plantadas e algumas com casas feitas com bom gosto. Há interrupção de terras tão boas para voltarem estas. Vim conversando com o engenheiro Betim cuja direção inteligente e ativa revela-se no modo porque a estrada foi construída e tendo trilhos de aço, e com o desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite a cuja influência se deve sobretudo a estrada que é de bitola de um metro. (...)" 


Na sequência Abaixo, mais uma sequência da base da 1ª Estação Silveira Lobo vista de vários ângulos. Sua base e a Plataforma em pedras, construída há 146 anos atrás, resiste ao tempo mantendo viva a história.