sábado, 6 de outubro de 2018

ESTAÇÃO SILVEIRA LOBO - Na verdade a 2ª Estação, em pequena comunidade no Município de Santana do Deserto.

Matéria atualizada em 24 de julho de 2025. 

Acima e nas cinco fotos abaixo, registros de minha visita à Estação de Silveira Lobo em junho de 2025.






No caminho, já bem próxima à Estação de Silveira Lobo, belíssima estrutura em pedras das cabeceiras de sustentação da antiga ponte ferroviária que é vista na foto de 1906 mais abaixo.


Belíssimo registro da Estação de Silveira Lobo em 1906, valiosa contribuição de Manoel Monachesi.

Outro belíssimo registro da Estação de Silveira Lobo da década de 1910, mais uma valiosa contribuição de Manoel Monachesi.

Registro mais recente da Estação de Silveira Lobo, também do acervo de Manoel Monachesi.


A Estação de Silveira Lobo sob o olhar de Jean Ferreira Cerqueira em foto de 2018: “Telhado recuperado, plataforma de embarque também. A impressão que dá é que o trem vai chegar a qualquer momento!”

“Este era o lado onde as carroças estacionavam para o desembarque de mercadorias a serem embarcadas nos vagões.”


Fato interessante apontado por Jean Ferreira Cerqueira em sua visita: 
“Olha que interessante! Visitei Silveira Lobo na quarta-feira de cinzas, dia 14 de fevereiro de 2018, e olhem a marcação talhada na parede de um pequeno prédio anexo à estação, numa de suas cabeceiras: 14.2.1923. 
Sem querer fui no aniversário de 95 anos desta linda obra. Só eu, mais ninguém chegou para a comemoração!! E outro detalhe: 14 de fevereiro de 1923 também caiu numa quarta-feira de cinzas!!” 







Estação SILVEIRA LOBO 



Nos tempos da E. F. União Mineira a linha seguia para a 1ª Estação SILVEIRA LOBO em direção à Estação de Serraria.


primeira-estacao-silveira-lobo


serraria



Município: Santana do Deserto-MG
Linha de Caratinga – Km 156,418 (1960)
Altitude: 422m.
Estação inaugurada em: O atual prédio é na verdade a segunda Estação, inaugurada em 01 de novembro de 1904. A primeira Estação, já demolida, ficava em outro local e foi inaugurada em 1879.
Estive no local em: Junho de 2025. Visitada por Jean Cerqueira em 2018 e por Ricardo Raipp em 2020.
Uso atual: Moradia Familiar. 

Situação Atual – Trecho declarado erradicado. Sem trilhos.

Leopoldina Railway (1904-1950)
E. F. Leopoldina (1950-1975)
RFFSA (1975-1994)


HISTÓRICO:

Inicialmente essa matéria havia sido publicada com as valiosas contribuições dos amigos Jean Ferreira Cerqueira, de Três Rios – RJ; de Manoel Monachesi e de Ricardo Raipp.

Apesar de não estar tão longe de minha cidade – Bicas-MG – ainda não tinha visitado a Estação de Silveira Lobo. Eis que saí em viagem para uma visita à “nova Estação de Chiador”. Ao retornar, já no cair da tarde, resolvi passar por Santana do Deserto, quando encontrei a bela Estação de Silveira Lobo.

 

A ESTAÇÃO:

Outra Estação que não conhecia pessoalmente, a Estação de Silveira Lobo ainda está bela e em perfeitas condições servindo de moradia particular. Ela fica escondida numa área de muitas árvores, mas é de fácil acesso.

Trata-se de uma Estação com histórico curioso. O atual prédio da Estação de Silveira Lobo foi inaugurado em 1904, mas na verdade era a segunda Estação com esse nome. A primeira Estação de Silveira Lobo inaugurada em 1879 ficava em outro local, no antigo Ramal de Serraria da E. F. União Mineira (desativado em 1904). Este Ramal ligava a Estação de Serraria - na linha do Centro da EFCB - às cidades de Bicas e Pequeri. Esse trecho primitivo reserva grandes curiosidades, como um zigue-zague – o primeiro do Brasil – que será descrito com mais detalhe logo abaixo. Com a desativação do antigo Ramal de Serraria, foi construída a nova e atual Estação.

Além das fotos que realizei em junho de 2025, esta matéria conta também com os belos registros de Jean Cerqueira, que percorreu de bike o antigo leito ferroviário até Sossego em fevereiro de 2018 passando por Silveira Lobo e São Marcos. Ricardo Raipp fez o mesmo percurso em 2020 e Manoel Monachesi trouxe fotos raras de seu belíssimo acervo.

 

O ZIGUE-ZAGUE:

Em grande e concorrida Assembléia Geral dos Acionistas realizada em 31 de janeiro de 1878, no Rio de Janeiro, foi apresentado pela diretoria o Primeiro Relatório da Estrada de Ferro União Mineira para a construção da linha férrea da Serraria até São João Nepomuceno, de onde destaco o interessante apontamento sobre a construção de um zigue-zague na serra do Macuco, que despertou em mim o grande desejo de um dia poder conhecer o local onde ele existiu. Sem dúvida, uma das maiores curiosidades em minhas pesquisas pelos caminhos da Leopoldina:

 “...deram os empreiteiros o começo dos trabalhos de terra a 8 de setembro, atacando o maior corte que temos em nossa linha no ponto culminante da serra do Macuco. Mede este corte 18 metros de alto, subindo sua encubação a 24.000m³ cúbicos de terra. É essa serra sem dúvida o mais frisante das centenas de contos que podem poupar uma boa exploração. De um terreno extremamente acidentado, cheio de fundas grotas e apertados espigões, absorveu-nos ela alguns meses, em que foram estudados vários traçados, que por dispendiosos tivemos que abandonar, resolvendo-nos afinal a empregar um pequeno zigue-zague, em que com um recuamento de 800 metros conseguimos um traçado extraordinariamente mais econômico, tendo poupado sem aumento de declividades um kilômetro de linha, evitando um viaduto com 17° de alto e substituído o único túnel projetado pelo corte acima referido. É a primeira vez que se emprega no Brasil este sistema de zigue-zague, com jogo de chave de recuamento de trem.”



O site Estações Ferroviárias do Brasil, de Ralfh Mennucci Giesbrecht cita outro importante apontamento sobre o zigue-zague é o trecho do Diário de Dom Pedro II, vol. 25, de 27 de abril de 1881(aª fa), copiado de José Carlos Barroso – Cessão Marcus Granado). Dom Pedro II andou na União Mineira passando por Bicas, em 1881:

-"(...) 5 ½ Acordei. Vou ler. Saio às 7h. Caminho conhecido até Serraria. Cheguei às 8 ¾ a Juiz de Fora. A cidade tem aumentado muito. Bela avenida com bonitas casas que devem arborizar. Almocei numa destas que é do Barão de Cataguazes. Partida do trem às 11h 10'. Nada de novo até Serraria. Aí entramos no trem da Estrada de Ferro da União Mineira. Percorremos 84km até o arraial - vila ainda não instalada de S. João de Nepomuceno. A estrada para subir parte da serra do Macuco tem 2 ziguezagues com plataformas. Tem 7 Estações pequenas porém bem construídas conforme a aparência. Vista muito bela assim como mato viçoso de Bicas para diante. Descobre-se amplo vale fechado por altas montanhas, e perto de S. João avista-se a alta serra do descoberto de contorno original. Grande número de quilômetros a começar da Serraria passa a estrada por fazendas de café muito bem plantadas e algumas com casas feitas com bom gosto. Há interrupção de terras tão boas para voltarem estas. Vim conversando com o engenheiro Betim cuja direção inteligente e ativa revela-se no modo porque a estrada foi construída e tendo trilhos de aço, e com o desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite a cuja influência se deve sobretudo a estrada que é de bitola de um metro. (...)" 

Na sequência abaixo, mais alguns registros de minha visita à Estação de Silveira Lobo em junho de 2025.








Acima e abaixo, belíssima estrutura em pedras das cabeceiras de sustentação da antiga ponte ferroviária no caminho para Silveira Lobo.


Belo postal da estação de Silveira Lobo datado de 10 de março de 1906.

A Estação de Silveira Lobo em outro ângulo. Foto da década de 1910, do acervo de Manoel Monachesi.

A movimentada Estação de Silveira Lobo em destaque nesta foto da década de 1910. Observem no lado direito da foto a parte do que parecia ser um "Girador de Locomotivas".


A Estação de Silveira Lobo neste belo registro do acervo de Jorge A. Ferreira Jr.


Mais fotos e relatos de Jean Ferreira Cerqueira sobre sua visita à Estação de Silveira Lobo em 2018, trazendo também belos registros do que encontrou pelo caminho.

“Claro que eu não poderia deixar de tirar uma foto com esta anciã de mais de mais de 90 anos!”



“Já na subida para Santana do Deserto, pode-se ver parte do muro de arrimo que sustentava o relevo por onde passavam os trens.”

“Nas três fotos abaixo a base da ponte de ferro que sustentava os trilhos da Leopoldina, já bem próximo da Estação de Silveira Lobo.”



“Na seqüência abaixo, por estes corredores passavam as composições de Três Rios a Bicas e vice-versa.”




Abaixo, dois belos registros de Ricardo Raipp feitos em visita à Estação de Silveira Lobo em 2020.



sábado, 25 de agosto de 2018

Estação PARADA PAULISTA - Pequena Estação que atendia à Cia. Agrícola Pontenovense e Usina Jatiboca.

 

Fotos do acervo do “Núcleo de Preservação Ferroviária de Ponte Nova” apresentam a antiga Parada Paulista abandonada sem uso.





bituruna

Estação PARADA PAULISTA




Município: Urucânia-MG
Ramal: Linha de Caratinga – Km 473,003 (1960)
Altitude:  ?
Estação inaugurada em:  anos 1950.
Estive no local em:  Ainda não visitei a Estação. Fotos apresentadas pelo "Núcleo de Preservação Ferroviária de Ponte Nova".
Uso atual: Em 2014 estava fechada e abandonada.
Situação Atual – Trecho declarado erradicado, sem trilhos.

E. F. Leopoldina (1886-1973)



A ESTAÇÃO:

Relato de Gutierrez L. Coelho para a página “estacoesferroviarias” em 09/2004:

"A Parada Paulista foi construída pela RFFSA, provavelmente no final dos anos 1950, inicio dos 1960, para apoio ao armazem da Cia. Agrícola Pontenovense e Usina Jatiboca. Com a desativação da linha tanto a Parada quanto o armazém hoje estão abandonados. A usina é talvez a única em operação na região de Ponte Nova, produzindo açucar e álcool. Situa-se entre Bandeiras e Bituruna, município de Urucania, MG." 

A página estacoesferroviarias cita também que "a Parada Paulista não aparecia nos guias de trens", e que "em 2006 a usina poderia não estar mais operando."





quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ESTAÇÃO PONTE NOVA - De lá partia o Ramal Dom Silvério.


Matéria atualizada em 20 de janeiro de 2024.

Acima e abaixo, mais um Histórico e Belíssimo registro fotográfico enviado pelos amigos do IPHAN trazendo detalhes inéditos da Estação de Ponte Nova. Abaixo, um recorte da mesma foto destacando o pátio ferroviário. 


Acima e abaixo, o prédio da "última" Estação de Ponte Nova em maio de 2018, prédio onde nos dias de hoje funcionam repartições públicas da Prefeitura.


Acima, outro Histórico e Belíssimo registro fotográfico enviado pelos amigos do IPHAN mostrando o centro da cidade, vendo-se a Estação de Ponte Nova e o Hotel Glória do lado direito da foto.


Acima e abaixo, mais dois belos registros de Ponte Nova do acervo de João Mattos, onde vemos o movimentado pátio ferroviário, a Estação da Leopoldina e o Hotel Glória ao fundo.


Acima, o "novo prédio", a última Estação de Ponte Nova, ainda com os trilhos - do acervo de Hugo Caramuru. 

Abaixo, a primitiva  Estação de Ponte Nova - do acervo de Hugo Caramuru com restauração fotográfica de Amarildo Mayrink.


Belíssima imagem do acervo de João Mattos apresentando parte do complexo ferroviário de Ponte Nova, vendo-se a ponte na linha que seguia para Vau-Assu ao fundo.



 Acima, o famoso Hotel Glória em plena atividade. Abaixo, o prédio de valor histórico incalculável completamente abandonado em maio de 2018.


Acima, em minha visita a Ponte Nova em maio de 2018, encontrei esta pequena e bela Locomotiva estacionada na praça bem próxima à antiga Estação. Na época, ela precisava e merecia mais atenção.

Abaixo, foto que encontrei nas redes sociais mostrando a mesma Locomotiva reformada numa pequena oficina, mas não tenho informações de onde ela esteja nos dias de hoje.







Estação PONTE NOVA




Saída para o Ramal de Dom Silvério

pontal


Município - Ponte Nova-MG
Ramal: Linha de Caratinga – Km 438,581 (1960)
Altitude: 402m
Estação inaugurada em:  o primeiro prédio foi inaugurado em 1886.
Estive no local em:  09 de maio de 2018.
Uso atual: Repartições Públicas - Prefeitura.
Situação Atual – Tráfego suspenso. Com trilhos em muitos trechos.

E. F. Leopoldina (1886-1973)




HISTÓRICO:

Em minha “expedição” pelos caminhos da Estrada de Ferro Leopoldina no último mês de maio de 2018 confesso que não estava em meus planos chegar a Ponte Nova, especialmente pelo adiantar da hora, pois precisava retornar.
Mas já que estava tão perto, acabei visitando a cidade, mesmo sem nenhum planejamento; contato com amigos ou órgãos da cultura e da preservação histórica local.
Logo percebi que não haveria tempo necessário para realizar um trabalho com a dimensão e o nível de informações que o complexo ferroviário que lá existiu exigiria, o que se confirmou ao retornar para Bicas e pesquisar mais detalhadamente sobre os inúmeros pontos de grande interesse para nossa página que dariam belíssimas fotos, como pontes e demais edificações ferroviárias, além de informações técnicas que sem dúvida não poderiam deixar de ficar registradas em nossa página.
Mais uma vez, recebi valiosas e históricas fotos do amigo João Mattos e, recentemente, mais dois belíssimos e históricos registros dos amigos do IPHAN enriquecendo essa matéria sobre uma das mais importantes Estações Ferroviárias da Estrada de Ferro Leopoldina - Estação Ponte Nova.


A ESTAÇÃO:

Sobre a Estação, vou falar então sobre o que encontrei no pouco tempo que lá estive em maio de 2018. 
Encontrei o prédio sendo ocupado com repartições públicas pela Prefeitura da cidade.
Não sei qual é o regime de ocupação do prédio - se por concessão temporária ou se a prefeitura já é a proprietária - mas confesso que na época minha impressão não foi das melhores. O prédio - bem como seu entorno - apresentava aspecto de pouca atenção. 
Seu estilo moderno, com dois andares e muitas árvores plantadas por entre os trilhos ao lado da antiga plataforma são detalhes que contribuem para tornar difícil sua identificação como uma antiga Estação Ferroviária, fazendo também com que uma pequena Locomotiva que encontrei em estado precário estacionada numa pequena praça localizada na cabeceira da antiga Estação estivesse em desarmonia com o local. 

Além disso, os prédios históricos localizados próximos à Estação – especialmente o antigo Hotel Glória - se encontravam completamente abandonados. 
Sabemos que prédios nestas condições normalmente estão envolvidos em situações judiciais, penhoras, etc., mas o valor histórico, a beleza e a imponência deste e de outros prédios vizinhos à antiga Estação sem dúvida merecem mais atenção pelo valor histórico e cultural de um povo.
Creio firmemente que os setores ligados à preservação histórica de Ponte Nova devem estar envolvidos na luta por sua preservação, informações que só descobriremos após uma visita com mais tempo, em contato com historiadores e com pessoas realmente envolvidas neste processo.

Ou seja, fiquei um pouco triste com o que encontrei, mas fiquei também com a certeza de que preciso retornar a Ponte Nova - desta vez com mais tempo - para “desvendar” todas as importantes histórias ferroviárias daquela cidade, esperançoso de trazer boas notícias aos amigos leitores.

Na oportunidade, pretendo ir também à Rio Doce e Dom Silvério, percorrendo outro importante Ramal da Estrada de Ferro Leopoldina, o primitivo Ramal de Saúde. 



PEQUENA LOCOMOTIVA:

Mas o que mais me entristeceu em maio de 2018 foi encontrar em completo estado de abandono uma pequena Locomotiva (foto acima) - aparentemente utilizada como um "monumento” - estacionada na pequena praça localizada na cabeceira da antiga Estação. 
Aparentemente uma bela réplica - um pequeno modelo construído apenas para ornamentar a praça -  que estava em péssimas condições. 
Recentemente encontrei nas redes sociais fotos mostrando a mesma Locomotiva reformada e bela numa pequena oficina (foto abaixo), mas não tenho informações de onde ela esteja nos dias de hoje.



Acima, belíssimo registro da região ferroviária vendo-se a Estação ao fundo, junto ao Hotel Glória.

Na sequência abaixo, o antigo prédio da Estação de Ponte Nova em maio de 2018.













Com a valiosa contribuição de João Mattos, alguns belíssimos registros da "antiga" Ponte Nova.







Na sequência abaixo, mais fotos da pequena Locomotiva: merece ou não merece mais atenção?






Acima, mais um belo registro da Estação de Ponte Nova, do acervo de Thomas Correa.


Abaixo, registros da "nova" Estação de Ponte Nova, do acervo de Hugo Caramuru.




Abaixo, apresentamos mais alguns antigos registros de Ponte Nova, do acervo de João Mattos.





Abaixo, o entorno da antiga Estação em 2018.