sábado, 22 de março de 2025

ESTAÇÃO SANTO INÁCIO - Era a primeira parada do Ramal de Manoel de Morais.

 Acima e na sequência abaixo, o que sobrou da antiga Estação Santo Inácio.


Abaixo, a Estação Santo Inácio “ontem & hoje”.


Próximo à antiga Estação, um alicerce chamou a atenção de Paulo Neiva: "Seria a base de um antigo prédio ferroviário?"


Abaixo, mais um “ontem & hoje” da Estação Santo Inácio, vendo-se a Igreja ao fundo.


A Igreja de Santo Inácio completamente abandonada em contraste com o belíssimo cenário.


Paulo Neiva e o que sobrou da Estação Santo Inácio.




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Estação SANTO INÁCIO 


trajano-de-moraes


  

Município: Trajano de Moraes-RJ

Ramal Manoel de Morais - Km 344,410 (1960)

Altitude:  463m

Estação inaugurada em: 1896/97.

Estive no local em:  Ainda não visitei a Estação. Fotos de Paulo Neiva Pinheiro, Trilhos do Rio e dos amigos da página "Em Amo Trajano de Moraes-RJ".

Uso atual: Abandonada, em ruínas.

Situação Atual – Ramal erradicado, sem trilhos. 

 

E. F. Leopoldina (1896/97-1965)



HISTÓRICO DA LINHA: 

Conforme cita o site estacoesferroviarias, de Ralph Mennucci Giesbrecht...

“O Ramal que ligava Entroncamento (Conde de Araruama) a Ventania (Trajano de Moraes) teve a linha entregue em 1878 até Conceição e no ano seguinte até Triunfo (Itapuá) e Ventania, pela E. F. Barão de Araruama. Somente em 1896, já com as linhas de posse da Leopoldina, foi entregue a continuação até Visconde do Imbé e em 1897 a Manoel de Morais. Antes disso, em 1891, o engenheiro Ambrosino Gomes Calaça havia aberto uma linha entre Ventania e Santa Maria Madalena, estabelecendo outro Ramal. Logo após a inauguração, a linha foi vendida À E. F. Santa Maria Madalena, e em 1907 à Leopoldina. Dependendo da época, a Linha Principal era Conde de Araruama-Madalena, ou Conde de Araruama-Manoel de Morais, com o outro trecho sendo o Ramal, ou seja, passando por baldeação ou espera em Trajano de Moraes. Em 31/08/1965, o trecho a partir de Triunfo foi suprimido para trens de passageiros, ou seja, o entroncamento de Trajano de Moraes já não era alcançado. Em 1966 ou 1967, o que restava do Ramal acabou de vez. Ficou, entretanto, o trecho entre Conde de Araruama e Conceição de Macabu ainda funcionando para a Usina Victor Sence, até o início dos anos 1990. Com a sua desativação, os trilhos foram arrancados.” 


Belo registro da então movimentada Estação Santo Inácio - Fon-Fon, 02 de junho de 1923.


A antiga Estação Santo Inácio em registro do acervo de Haroldo Pereira da Silva Porto Júnior..


A ESTAÇÃO:

Em viagem de pesquisas pelos caminhos da E. F. Leopoldina o amigo Paulo Neiva Pinheiro também percorreu o Ramal de Manoel de Morais, que partia do entroncamento da Estação de Trajano de Moraes, chegando à primeira parada: Estação SANTO INÁCIO-RJ. A Estação ainda existe - ou o que sobrou dela - mas só restam ruínas. Vamos ao relato de Paulo Neiva sobre mais uma importante visita...

“A Estação de Santo Ignácio não tem data de inauguração conhecida, mas teria provavelmente sido aberta em 1896/97. Era uma Estação que, com quase certeza, foi construída pela fazenda para carregar seus materiais e eventualmente servir aos passageiros. O Trem ali foi desativado em 1965. Nas fotos que fiz em minha primeira visita em 2018 o antigo prédio da Estação ainda existia, mas já estava em ruínas. Retornei em 2022 ao local e ainda encontrei as ruínas da Estação, assim como a igrejinha da fazenda (também em ruínas). Da linha férrea nem vestígios. Tudo muito parecido com Leitão da Cunha - que também é distrito de Trajano de Morais: uma fazenda atendida por uma Estação própria e que também tinha uma igrejinha similar a essa de Santo Ignácio. Fui à igrejinha que fica bem próxima da Estação e infelizmente também a encontrei bem deteriorada. O que antes foi uma portentosa fazenda (Fazenda Santo Ignácio) que teve seus dias de apogeu, hoje agoniza entre as montanhas de Trajano de Moraes.”


Na sequência abaixo, as ruínas da antiga Estação Santo Inácio em detalhes.






Paulo Neiva e a Igreja de Santo Inácio completamente abandonada em contraste com o belíssimo cenário.


Na sequência abaixo, detalhes da Igreja de Santo Inácio em ruínas.





Próximo à antiga Estação, um alicerce chama a atenção: seria a base de um antigo prédio ferroviário?


quarta-feira, 19 de março de 2025

ESTAÇÃO SANTA MARIA MADALENA - Estação final de um importante Ramal no período do café.

Acima e nas três fotos abaixo, a bela e bem cuidada Estação de Santa Maria Madalena que hoje abriga a Casa da Cultura, um Museu e uma Biblioteca.


“Ontem & hoje” da Estação: acima, registro de uma chegada festiva do Trem.

Abaixo, num ângulo parecido, belo cenário com a antiga Estação ao fundo.


Bela panorâmica de Santa Maria Madalena do acervo de Mário Guimarães, vendo-se a Estação lá no alto, à direita da foto.


O Trem na Estação de Santa Maria Madalena era sempre uma atração para fotografias. Acervo de Mário Guimarães.


Belíssima e histórica foto do acervo de Mário Guimarães, onde vemos o complexo ferroviário de Santa Maria Madalena: a Estação, a Caixa d'água e o Virador de Locomotivas.

Mais uma histórica foto de 1972, de Jorge Feijó. Nela aparecem a Estação e a Casa do Chefe da Estação, onde é possível ver “EFL” escrito na parede. A linha já tinha sido aparentemente removida, fato ocorrido na década de 60.


Acima e abaixo, a Casa do Chefe da Estação que aparece na foto de 1972. Ela está preservada dentro do hoje Hotel Girassol da Serra.


Abaixo, o Casarão que também aparece na foto de 1972 e na mais antiga. Nesta foto o prédio é visto em sentido contrário ao das fotos antigas. Hoje o prédio recebeu acréscimo em sua parte de traz (construído em parte onde um dia existiu o Virador de Locomotivas) sendo transformado no belo Hotel Girassol da Serra.


Paulo Neiva Pinheiro e a Estação de Santa Maria Madalena, hoje "Casa da Cultura, Museu e Biblioteca".




Estação SANTA MARIA MADALENA 


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Município: Santa Maria Madalena-RJ

Ramal Sta. Maria Madalena - Km 360,972 (1960)

Altitude:  632 m

Estação inaugurada em:  05 de dezembro de 1890.

Estive no local em:  Ainda não visitei a Estação. Fotos de Paulo Neiva Pinheiro e Mário Guimarães.

Uso atual: Casa de Cultura, Museu e Biblioteca. 

Situação Atual – Ramal erradicado, sem trilhos. 

 

E. F. Santa Maria Madalena (1891-1907)

E. F. Leopoldina (1907-1963)


HISTÓRICO DA LINHA: 

Conforme cita o site estacoesferroviarias, de Ralph Mennucci Giesbrecht...

“O Ramal que ligava Entroncamento (Conde de Araruama) a Ventania (Trajano de Moraes) teve a linha entregue em 1878 até Conceição e no ano seguinte até Triunfo (Itapuá) e Ventania, pela E. F. Barão de Araruama. Somente em 1896, já com as linhas de posse da Leopoldina, foi entregue a continuação até Visconde do Imbé e em 1897 a Manoel de Morais. Antes disso, em 1891, o engenheiro Ambrosino Gomes Calaça havia aberto uma linha entre Ventania e Santa Maria Madalena, estabelecendo outro Ramal. Logo após a inauguração, a linha foi vendida à E. F. Santa Maria Madalena, e em 1907 à Leopoldina. Dependendo da época, a Linha Principal era Conde de Araruama-Madalena, ou Conde de Araruama-Manoel de Morais, com o outro trecho sendo o Ramal, ou seja, passando por baldeação ou espera em Trajano de Moraes. Em 31/08/1965, o trecho a partir de Triunfo foi suprimido para trens de passageiros, ou seja, o entroncamento de Trajano de Moraes já não era alcançado. Em 1966 ou 1967, o que restava do Ramal acabou de vez. Ficou, entretanto, o trecho entre Conde de Araruama e Conceição de Macabu ainda funcionando para a Usina Victor Sence, até o início dos anos 1990. Com a sua desativação, os trilhos foram arrancados.” 


A ESTAÇÃO:

Em viagem de pesquisas pelos caminhos da E. F. Leopoldina, o amigo Paulo Neiva Pinheiro chegou à Estação de Santa Maria Madalena, ponto final do Ramal. Segue seu relato sobre mais uma visita: 

“A Estação de Santa Maria Madalena foi aberta ainda pela E. F. Barão de Araruama em 1890. Logo em seguida foi adquirida pela Leopoldina. O Trem alavancou o desenvolvimento de Santa Maria Madalena por muitos anos, mas com o decreto 58.992/66 (Programa de Erradicação de Ramais Antieconômicos) o Ramal de Santa Maria Madalena foi fechado em 1965. O mesmo decreto previa a construção de uma rodovia asfaltada para substituir o Trem, mas, como não foi cumprida esta parte, o processo de desagregação socioeconômica do município se agravou. Apenas no final dos anos 1970 foi asfaltada a estrada que ligaria a cidade a Nova Friburgo. A Estação hoje abriga a Casa da Cultura, um Museu e uma Biblioteca.”


Outra bela panorâmica de Santa Maria Madalena do acervo de Mário Guimarães, vendo-se a Estação lá no alto, à direita da foto.


Sim! Essa calçada de pedras de cantaria é da época da construção da Estação. Era essa calçada que a comunidade usava para subir até a Estação em dias de chuva onde a rua ficava enlameada, pois não era pavimentada.


A última viagem no Ramal feita em 1965 com o Trem partindo da Estação de Santa Maria Madalena foi relatada dez anos depois do fim por um escritor local: 

"Lembro-me bem do derradeiro dia em que o Trem deixou a Estação. Com o sonoro e melancólico toque do sino é dada a saída precisamente às 6 horas e 20 minutos. Muita gente lá estava para a despedida. Vagarosamente vai deslizando pelos trilhos até a curva da chácara do Américo Lima. Aí faz uma paradinha, ouvindo-se um agudo e angustioso apito, fazendo de conta como se fosse um adeus para sempre. E lá se foi pela estrada afora, deixando uma baforada de fumaça que pouco a pouco foi desaparecendo. O carro misto de 1a e 2a classe estava todo ornamentado de hortênsias azuis e rosas, repleto de passageiros. Por onde ele passou: Loreti, Trajano de Moraes, Leitão da Cunha, o trecho da serra, vendo-se lá embaixo o rio Triunfo e o Conceição, as manifestações de despedida foram as mais sentidas e expressivas, sendo que na de Conceição de Macabu havia uma banda de música que executou, na partida, a melodia Valsa da Despedida, tendo o padre local usado da palavra, o que fez muita gente chorar. O ponto do almoço, em Conceição, onde na mesa não faltava a boa carne de porco, a galinha, a couve picadinha, o torresmo, o tutu com carne seca desfiada, etc., e o custo era apenas de dois mil réis. Depois vinha Paciência e finalmente Conde de Araruama, local em que se fazia a baldeação para Campos, Niterói ou Rio. Esse Trem, verdadeiro calhambeque, ajustado num amontoado de peças usadas e quase imprestáveis, e muitas vezes, nos trechos de subida, os passageiros tinham de saltar para que o peso diminuísse. Os dormentes, já podres, cediam com a passagem da máquina, ocasionando descarrilamentos. Com alavancas, depois de estafante e penosa operação, a máquina era colocada novamente sobre os trilhos. Em dias chuvosos, abria-se o guarda-chuva dentro do vagão e quando havia boi ou cavalo na linha, o Trem gingava e apitava até que o animal saísse da linha. Quando um passageiro se atrasava para o embarque, esperava-se o amigo, que, se não tivesse dinheiro para a passagem, não tinha importância, pagaria na volta. Mas, apesar dos pesares, esse Trenzinho que carregava a gente, todo bamboleante e desengonçado, aos trancos e solavancos, chegava sempre ao seu destino e ninguém reclamava, achando até tudo muito bom. E era" (Octavio Fajardo Rodrigues, 1975). 


Na sequência abaixo, a Estação de Santa Maria Madalena em detalhes.  





Sinos da Estação. O maior parece ter sido de Locomotiva.


Essas portas e janelas parecem ser originais de época.



E essa luminária também parece ser de época. Na Estação da Usina Corrêa tem delas também.


A Casa do Chefe da Estação, por Paulo Neiva Pinheiro:

“A Casa do Chefe da Estação de Santa Maria Madalena aparece na foto de 1972 com a inscrição EFL e está preservada dentro do Hotel Girassol da Serra, sendo usada hoje como área de churrasco do hotel. Mantém suas portas, janelas e telhado ainda originais. Ela fazia parte do conjunto Estação, Viradouro (demolido) e Casa do Agente da Estação. Foi muito provavelmente construída pela E.F. Leopoldina.”

Na sequência abaixo, a Casa do Chefe da Estação em detalhes.











Construção do Século XIX - Atual Hotel Girassol da Serra em Santa Maria Madalena-RJ, por Paulo Neiva Pinheiro:

“Construção secular localizada bem perto da Estação Ferroviária de Santa Maria Madalena-RJ aparece em fotos antigas, com seu alicerce construído com pedras e as escadas com pedras de cantaria, a construção foi ampliada, recebendo anexos e hoje serve como Hotel (espero um dia poder me hospedar aí). A bela construção chama a atenção de quem por ali passa pela também bela construção de seu porão de baixo, todo feito de pedras e possivelmente construído com mão de obra escrava. Teria sido a sede (Casa Grande) de alguma fazenda Cafeeira do período do ciclo do café? Ou a casa de passeio de algum grande fazendeiro da época? Pode ser… A cidade de Santa Maria Madalena foi uma grande produtora de café nesse período exportando muito café pela ferrovia que existia partindo dali.”


Na sequência abaixo, o Hotel Girassol da Serra em detalhes.