sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Estação/Posto Telegráfico FLOR DA MATA - Parada estratégica para abastecimento das Locomotivas a Vapor antes de chegar a Viçosa.

 Acima, vemos a Caixa d'água e, à direita, o que sobrou do que acreditamos ser a antiga plataforma da Estação/Posto Telegráfico Flor da Mata.

Abaixo, uma bela e bem estruturada base feita de grandes pedras aparentando as antigas plataformas das estações ferroviárias. Aqui deveria ser a Estação/Posto Telegráfico Flor da Mata.


Acima e abaixo, ruínas de antigos prédios ferroviários, como Casa de Turma, Casa do Chefe da Estação/Posto Telegráfico ou depósito de ferramentas.


Acima e abaixo, um grandioso corte de pedra e a mata fechada compõe o belíssimo cenário.







vicosa-universidade

 

 

Estação

Posto Telegráfico FLOR DA MATA

 

cajuri

 

  

Município - Viçosa-MG

Linha de Caratinga: Km  ?

Altitude:  ?

Estação inaugurada em:  ?

Estive no local em: 09 de maio de 2018.

Uso atual: Demolida. Só restou a antiga Caixa d’água e ruínas de antigos prédios ferroviários.

Situação Atual – Trecho não suprimido oficialmente. Sem trilhos.

 

E. F. Leopoldina (1885-1975)

RFFSA (1975-1996)





HISTÓRICO:

Ao visitar as Estações de Viçosa e Viçosa-Universidade em maio de 2018 acompanhado do amigo Edvaldo Ferreira dos Santos - o Vado – o mesmo comentou várias vezes comigo sobre a existência de uma Caixa d’água na área rural de Viçosa, voltando para Cajuri, fato que despertou grande interesse em conhecê-la.

Então, após visitarmos a Estação Viçosa-Universidade, seguimos sentido a Cajuri para conhecer a tão falada Caixa d’água, localizada em belíssimo cenário na área rural de Viçosa.

Segundo Edvaldo, tinha apenas a informação de que o local era uma Parada estratégica, pois além da Caixa d’água, existia também uma Casa de Turma – já demolida – para abrigo das equipes de apoio.

Passados mais de três anos desta visita, eis que recebo do amigo Clair Rodrigues um mapa mostrando a existência do P.T.(Posto Telegráfico) Flor da Mata, localizada exatamente entre Viçosa e Cajuri. Sem dúvida uma interessante e agradável surpresa, pois já tendo visto inúmeros Mapas das Linhas da Leopoldina em Minas Gerais, nunca havia visto um sequer que localizasse esta Parada.

 

A ESTAÇÃO:

O que dizer: Ao chegarmos ao local, o cenário é belíssimo em mata fechada com um grande corte de pedra ao fundo.

Nada de prédios que lembrasse uma antiga estação, mas encontramos um alicerce em ruínas, que pela disposição aparente dos cômodos devia ser uma Casa de Turma. Mais a frente, uma bela e bem estruturada base feita de grandes pedras aparentando as plataformas ferroviárias da época, o que me faz deduzir que seria ali o antigo Posto Telegráfico Flor da Mata.

E nas proximidades dessa grande base de pedras, encontramos a famosa Caixa d’água, abandonada no meio da mata fechada.

Pena que a “ação do homem” não tenha perdoado a pobre Caixa d’água, já que a encontramos toda pichada, com as “famigeradas” campanhas políticas.

Contrastando com as infelizes pichações, a natureza respondeu de forma surpreendente proporcionando uma cena bem interessante: uma árvore fixou sua raiz bem em baixo da Caixa d’água - entre esta e sua estrutura em pedras.

Ou seja, quando visitei o local indicado pelo amigo Vado, nem ele, nem eu podíamos imaginar que estávamos diante do “possível” antigo Posto Telegráfico Flor da Mata, mais uma descoberta em minhas aventuras pelas Linhas da Leopoldina.

Pois é...

Resolvi então atualizar esta postagem após receber o novo mapa, e também para gerar o debate entre os ferroviários e ferroviaristas quanto à real existência desta Estação!


Abaixo, a fração maior do mapa publicado por Clair Rodrigues no facebook.


Nas cinco fotos abaixo, a Caixa d'água em destaque.






De forma surpreendente, entre a Caixa d’água e sua estrutura em pedra nasceu uma grande árvore, compondo um visual interessante, como pode ser visto nas cinco fotos abaixo.











 Acima, o amigo Vado com um dos tubos de ferro que provavelmente já foi utilizado na Caixa d’água. 


Sem dúvida, um belíssimo cenário...


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

A LEOPOLDINA nas artes fantásticas de WILSON PS.

Matéria atualizada em 09 de julho de 2022.

 





Trago hoje aos amigos da página otremexpresso um pouco do maravilhoso trabalho em desenho e arte em retratos, paisagens, charges, cartuns, caricaturas, HQ’s e arte final de Wilson PS.

Naturalmente destacamos seus belíssimos trabalhos com motivos ferroviários: Trens e Estações, especialmente da Estrada de Ferro Leopoldina.

Além dos desenhos fantásticos, Wilson traz um belíssimo relato de sua experiência de vida, especialmente acompanhando seu Pai desde criança.

Então... vamos ao seu relato fantástico e aos belíssimos desenhos!

 

Lembranças de um tempo, Por Wilson PS.

Parece surreal, mas é fato, por isso passo a relatar: Morando eu a maior parte de minha infância e juventude dentro de um pátio ferroviário de intenso movimento, bem ao lado das vias principais onde o tráfego de trens de todos os tipos principalmente os suburbanos era ininterrupto, meu ouvido aguçado como de um futuro telegrafista, e olhos observadores de um desenhista que o não permite escapar detalhe algum, e como o paladar de um degustador profissional sempre em ação vinte e quatro horas por dia a provar um requintado quitute, tinha uma hiper percepção. 

Sabia qual, ou que tipo de material rodante vinha num comboio mixto ou convencional, fosse ele um trem curto ou um extenso comboio de cargas com variados tipos e modelos de vagões, ou carros. Percebia tudo isso pelo tipo de rodeiro e seus sons e ruídos em contato com os trilhos, o motor das MKS, as buzinas, etc... cada um tinha um som ímpar. Podia ser diesel elétrica ou algumas vaporosas (na minha infância, isso até aos 8 ou 9 anos apenas uma Pacific, a 345 se não me engano, ela era fixa em Saracuruna e fazia os trens de Vp, as vezes gôndolas com trilhos e dormentes, guindastinhos para o recolhimento de trilhos, ou vagões de lastros vindos da pedreira de Suruí. A 344 de vez em quando aparecia, e até a 51 com sua chaminé balão, em pequenos trens de serviço, belas lembranças.

Um trem de passageiros com todos os carros iguais, de madeira ou de aço, era de mais fácil identificação, mas a locomotiva sempre variava, podia ser uma U-12, U-13, GL-8, U-8 ou U-10.

As U-20 vieram bem depois, em 1974, com suas buzinas originais inconfundíveis, quem lembra? Ela vinha puxando um "comboio interminável" nada comparável aos nossos dias, aquele tempo impressionava.

Quando passava um "Material" vindo de Campos para Praia Formosa, meu pai dizia: vai reforçar o "Expresso" ou o "Cacique", ou talvez formar um extra. Em ocasião festiva - Natal, ano novo, carnaval, feriados, a demanda acrescia e a Leopoldina estava atenta.

As litorinas Budd tinham um som peculiar, sua buzina como uma voz suave e bela pedindo passagem atraindo olhares, como pode? Toda prateada e reluzente, com janelas oblongas, freios a disco e ar condicionado; naqueles tempos?

É minha gente! As ferrovias eram tudo de bom, pararam no tempo, ficaram pra trás, perderam-se no descaso e entraram em ostracismo. Só uma nova mentalidade recupera tudo isso... São novos tempos.

Eu sabia sem olhar, reconhecia pelos ouvidos quando o trem de socorro passava ligeiro pela linha principal para atender uma ocorrência ao longo do trecho ou quando vagaroso traspassava os desvios do pátio. Adorava ver o robusto ORTON da minha querida Leopoldina em ação ostentando sua enorme lança preta.

Quanta saudade daqueles tempos!

Podia embarcar num trem para qualquer canto onde os trilhos da Leopoldina pudessem me levar, adorava ir às estações com meu pai e vê-lo bater papo com os "Companheiros" de plantão. Os caras tinham apelidos inusitados, parecia um zoológico ferroviário, tinha o Arlindo “Jacaré”, o Jacintho “boi de chuteiras”, o “cabeça de cobra”, o “pé de porco”, o João “carijó”, Ari “pé de pato”, o Paulo “galo”, o Zé “lagarto”, o “lagartixa”, o Mário “barata”, o Ari “calango”, o Silvio “vaca malhada”, Almir “lobisomem”, “Mussum casado”, “Bode cheiroso”, “Burro novo”, João “da mula”, Pedro “burro”, Zé “macaco”, “Pato rouco”, “Marimbondo”, Wanderley "raposo", “Pescoço de girafa”, Tião “gavião”, “Caçador de veados”, “Urso do cabelo duro”, “Parafuso”, Francisco “quebra galho”, “Joinha”, “Aroeira”, Nestor “raibota”, “Sheriff”, João “quebra pratos”, “Vampiro sem dentes”, “Espanta neném”, “Mussela”, Jorge “lingüiça”, Sebastião leite, Breguetti, “Nó de cana”, “Maçaranduba”, “Fomfom”, Salvador, “Bom cabelo”, “Blusão de couro” (meu pai) e outros.

Toda oportunidade ia para Barão de Mauá, onde meu pai trabalhava, era frisson. Parecia um Shopping Center dos trilhos, gostava mais que a gare Dom Pedro II. Que movimento! Hoje um deserto, um fétido odor de mijo e fezes exala a maltratar quem se atreve a aproxima-se do local. Pichações horrorosas, um lugar sombrio, reduto de vagabundos. 

Uma beleza de estação de convergência de trens de passageiros e cargas, erguida pelos ingleses de uma era de glamour e ostentações, onde a expansão ferroviária era tudo de bom, tudo perdido pela incompetência e má vontade.

Incansável, o belo terminal, mesmo maltratado resiste, insiste em mostrar sua beleza e grandeza, e orgulho de seus tempos de glória...  Glória!!! Que glória?

Um raro exemplar da arquitetura palaciana, um terminal ferroviário ocioso em pleno centro.

Em Barão de Mauá eu observava todo o movimento, em cada plataforma, e onde meus olhos podiam contemplar tamanha maravilha da capacidade humana.

Os sons, os ruídos, para mim, uma perfeita sinfonia dos trilhos, onde o maestro era o ilustre maquinista. Mas que triste fim, acabaram com todo brilho, arrancaram os trilhos.

O meu sonho é que todas as ferrovias históricas pudessem ressurgir...







Destacamos também sua grande admiração pelo trabalho das Equipes de Socorro, fato observado nos belos desenhos sobre este tema.













domingo, 19 de dezembro de 2021

FELIZ NATAL! FELIZ 2022!


 Reeditando a belíssima arte da Leopoldina Railway para o Natal de 1940, desejo a todos os amigos leitores um Feliz Natal!

Que em 2022 todos os nossos sonhos se realizem!