quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O GUARDA-FREIOS - Conheça um pouco mais sobre uma das mais importantes e perigosas funções nos primeiros tempos da ferrovia.


Observe esta composição passando sobre a ponte em Dom Silvério: sobre o primeiro e quarto vagões vemos sentado na extremidade dos mesmos os "Guarda-Freios".


Outro belo registro de uma composição passando por uma ponte, vendo-se os "Guarda-Freios" sobre os vagões.



No começo do século 20, uma das mais arriscadas profissões ferroviárias era o Guarda-Freios. Sua tarefa era andar sobre o trem em movimento apertando e afrouxando o freio mecânico de cada vagão da composição ferroviária. 

No início dos tempos das Locomotivas a Vapor esta era a única forma de frear os vagões, já que até ao surgimento do freio pneumático, a vácuo, as Locomotivas a Vapor não possuíam qualquer sistema que oferecesse aos maquinistas meios de acionar os freios dos vagões.

 

Belo registro de uma composição chegando a Nova Friburgo, vendo-se o "Guarda-Freios" sobre o vagão.


Arte de Edilson Klug "Guarda-freios no Viaduto Carvalho" homenageando estes profissionais ferroviários que trabalhavam a um passo dos precipícios na ferrovia Curitiba Paranaguá - Serra do Mar, correndo em cima dos vagões, para frear o trem.


Mas como o Guarda-Freios saberia o momento certo de acionar e liberar os freios dos vagões?

- Esta ação só era possível por meio do uso do apito da Locomotiva, onde o maquinista se comunicava com o guarda-freios para dar as devidas instruções.

 

E como o Guarda-Freio atuava?

- Com a introdução de vagões com passadiços entre eles, era possível que o guarda-freio pudesse se movimentar pelo comboio caminhando sobre os vagões, acionando o freio mecânico de cada um deles por meio de manivelas que se localizavam no teto, na extremidade dos vagões. Ou seja, com passadiços, os freios estavam presentes em todos os vagões, cabendo ao guarda-freios deslocar-se de um vagão para o outro acionando seus freios um a um.

Posteriormente existiram também composições que tinham um vagão especial de frenagem, com um poderoso freio mecânico colocado em sua cauda, mas o mais comum era o método rústico e extremamente arriscado dos guarda-freios correndo sobre os vagões com o trem em movimento, sendo comum a ocorrência de graves acidentes com os mesmos, muitas vezes fatais. 






Acima, uma composição passando por Petrópolis com o "Guarda-Freios" caminhando sobre os vagões.


Acima, a cauda de uma composição descendo a serra de Petrópolis em direção ao  Rio de Janeiro, vendo-se os "Guarda-Freios" atuando.



Em 16 de março de 1924 o jornal biquense “O Município” noticiava um grave acidente na Serra de Telhas vitimando dois "Guarda-Freios".


3 comentários:

Hérico J. Rechi disse...

Ótima postagem. Parabéns pelo registro.

Anônimo disse...

Me lembro e conheci alguns desses valentes trabalhadores, responsáveis pela segurança dos freios nas composições.
Em Palma, onde morei, havia uma serra onde, na descida, os guarda freios tinham uma participação importante na segurança das composições. Realmente, era uma atuação de risco, que melhoraram com a adoção dos freios Westinghouse, cuja aplicação era feita do último carro até a locomotiva.
Luiz Carlos Xavier

Josélio Carneiro disse...

Parabéns Amarildo pelo excelente site. Sou jornalista e escritor da Paraíba, Josélio Carneiro de Araújo, filho, neto e sobrinho de ferroviários, atualmente escrevendo o livro Nos Trilhos da Memória.