terça-feira, 12 de junho de 2012

ESTAÇÃO MIRAHY - Estação terminal do antigo Ramal, hoje Rodoviária da cidade.


Matéria atualizada em 29 de abril de 2024.


Acima, a bela Estação de Mirahy em março de 2023, após passar por completa obra de restauração.

Abaixo, belíssima panorâmica do centro de Mirahy, vendo-se a Estação à direita na foto.


Nas três fotos abaixo, a bela Estação de Mirahy em março de 2023, após passar por completa obra de restauração.




Abaixo, quatro históricos e espetaculares registros fotográficos da Estação de Mirahy.






Abaixo, a Estação em minha primeira visita a Miraí, em maio de 2012.


Acima e abaixo, “ontem & hoje” da bela Estação de Mirahy.


Abaixo, mais uma bela contribuição de Hugo Caramuru.


A Estação de Mirahy sob o olhar de Paulo Amorim.

 



Estação MIRAHY




Ramal de Mirahy – Km 381,589 (1960)
Altitude: 297m. 
Estive na Estação em: maio de 2012 e em março de 2023.
Estação inaugurada em:  31 de dezembro de 1895
Uso atual: Rodoviária Municipal e Agência Bancária.
Situação Atual – Ramal Erradicado.

E. F. Cataguazes (1895-1903)

E. F. Leopoldina (1903-1967)





APRESENTAÇÃO:

Na última atualização desta matéria em março de 2022, contei com valiosa contribuição do amigo Milton Miranda, de Miraí. Graças a ele foi possível apresentar belíssimas fotos, antigas e inéditas, onde realizei um gratificante trabalho de restauração fotográfica. 

Mas era preciso retornar a Miraí, não só para fazer novas fotos, mas também para conhecer pessoalmente o grande amigo e colaborador Milton Miranda, momento este que aconteceu no dia 24 de março de 2023.

Então vamos à atualização de mais uma matéria!


Acima, um bilhete de viagem do Rio de Janeiro a "Miraí", já escrito na atual ortografia.

Abaixo, mais duas belas panorâmicas do centro da cidade, vendo-se a Estação de Mirahy.



HISTÓRICO:

O último trecho da Estrada de Ferro Cataguazes ligando a Estação Glória à Santo Antônio do Muriahé (Mirahy) foi inaugurado em 31 de dezembro de 1895. O Ramal tinha a extensão de 48 km até sua Estação Terminal, que recebeu o nome de “Mirahy”.

Em 1902 o Ramal passa a ser explorado pela “The Leopoldina Railway”.

Além do transporte de passageiros, Mirahy se destacava na produção de café, chegando a ser o quarto maior produtor de café da região. Na safra 1925/1926 o Ramal chegou a transportar 94.522 sacas de café produzidas em Mirahy (dados da Gazeta de Leopoldina – fevereiro de 1927).

Com o fim da lavoura cafeeira e a ocorrência de outras crises, além do crescimento do transporte rodoviário por caminhão, o transporte ferroviário entrou em severo declínio, levando à extinção de vários ramais. Em 31 de março de 1967 o Ramal de Miraí foi extinto.

 

Acima, mais um registro histórico do Trem em Mirahy.


A ESTAÇÃO:

Mais uma Estação que encontrei belíssima, tendo acabado de passar por um completo trabalho de restauração pelo poder público municipal, que também está realizando uma grande obra de urbanização e infraestrutura em todo o seu entorno. 

Ponto final do Ramal, a antiga Estação Ferroviária de Mirahycujo dístico foi mantido na antiga ortografia - é hoje a Rodoviária Municipal, mesmo destino dado a muitas estações de nossa região. O prédio encontra-se em excelente estado de conservação e nele também funcionam uma agência do Banco do Brasil, uma lanchonete e a área de vendas de passagens da rodoviária, onde os antigos guichês da época da ferrovia ainda são usados.

A cidade de Miraí possui também um belíssimo Centro Cultural – o Memorial Ataulpho Alves - que guarda grande acervo sobre a vida de seu filho ilustre, espaço que tive o prazer de conhecer acompanhado do amigo Milton Miranda.


A belíssima tela de Ataliba retratando a Estação de Mirahy e o trem pronto pra partir. 

HISTÓRIAS:

Visitar as cidades por onde passaram os trens da EFL nos remetem a muitas e belas histórias, como a do Sr. Nilton Horta, ferroviário que constituiu sua família e com ela passou por muitas cidades onde trabalhou, mas que guarda maior recordação de Mirahy, onde permaneceu por mais tempo. 

Foi o Sr. Nilton, morador de Bicas à época deste relato, que me explicou a diferença das chaminés das locomotivas a vapor, umas com tubo estreito e outras com aqueles proeminentes bojos largos se destacando. Disse que era devido ao fato de, na falta de carvão para queimar na fornalha, passaram a usar lenha para a queima e as chaminés estreitas permitiam que pedaços de lenha em brasa voassem pelos céus saindo com grande pressão caindo nas matas próximas ao leito da ferrovia provocando grandes queimadas. A chaminé de bojo largo possuía um dispositivo que praticamente eliminava este problema. Pequenos detalhes que só conhecemos conversando com antigos ferroviários como o Sr. Nilton.



Na seqüência abaixo, a bela Estação de Mirahy em março de 2023.










Acima e abaixo, belíssimas obras de artista local retratando o largo e a Estação de Mirahy. 


Abaixo, mais um pouco da história da ferrovia em Miraí em belas fotos.








Acima, a romântica caminhada pela linha do trem próximo à Mirahy.

Na seqüência abaixo, registros que realizei em minha primeira visita a Miraí, em maio de 2012.








Com a sempre valiosa contribuição de Milton Miranda, "novos" antigos registros da Estação de Mirahy.





Acima e abaixo, talvez o mais antigo registro da Estação de Mirahy, vendo-se a rampa da plataforma à direita e a caixa d'água ao centro da foto.


Acima, obra de artista local destacando os encantos de Mirahy.


Abaixo, espetacular resgate histórico da ferrovia em Mirahy no belíssimo relato de Milton Miranda.


Acima, registro da última viagem da “Maria Fumaça” no Ramal Cataguases/Mirahy, liderada pelo Maquinista Elmo e pelo Foguista Panza.

UMA VIAGEM AO PASSADO NO TREM DE MIRAHY, POR MILTON MIRANDA.

Convido os amigos da página otremexpresso e a você meu amigo, meu conterrâneo da Cidade de Mirahy a embarcar em uma aventura imaginaria, mas com requintes de muita criatividade em nossa imaginação.

A recordação do local na época, ainda nítida em minha memória, não corresponde às condições do local atualmente. Não mais como antigamente, mas, com a restauração da edificação, será possível o desenvolvimento de projetos culturais, fazer alguns registros de tudo como era na época. Tombado como Patrimônio histórico a Estação Ferroviária (Hoje Rodoviária).

 

De volta ao passado.

No dia 31 de dezembro de 1895 foi criada a Estrada de Ferro Cataguazes, a Linha que tinha como trajeto de Cataguases, para Mirahy com bifurcação para Santana de Cataguases. O Ramal Cataguazes, foi construído pelo barão do Café Coronel João Duarte. Diga-se que para iniciar as obras o coronel conseguiu a outorga pela província de Minas Gerais conforme as Leis nº 3.652, de 01 de setembro de 1888 e Lei nº 3.785, de 14 de agosto de 1889. A concessão inicial foi dada a Christiano Dias Lopes, que por falta de capital não conseguiu prosseguir com o projeto. Aí assume o banqueiro e coronel João Duarte contratando o engenheiro Jacyntho Adolpho de Aquillar Pantoja. Para agilizar os trabalhos da construção do ramal ferroviário, Pantoja contratou o também engenheiro Joaquim Nunes TASSARA (No cemitério de baixo existe túmulo dos Tassaras), e também foi contratado o engenheiro Antônio Bergamini. No dia 10 de outubro de 1902, conforme decreto estadual nº 1.562, o ramal ferroviário foi vendido pelo Cel. João Duarte à empresa The Leopoldina Railway Company Limited, de Londres (INGLATERRA). A viagem inaugural de 35 km’s do ramal Mirahy a Cataguases foi realizada no dia 01 de Janeiro de 1903. Esse ramal para Mirahy tinha as seguintes estações e paradas: Parada de São Diniz; Estação Sereno; Estação do Glória; Parada Joaquim Vieira; Parada João Resende; Parada Aldeia; Parada Santa Tereza e Estação de Mirahy. Nós crianças da época tínhamos a nossa vida ligada aos trilhos, andar em cima dos trilhos, pelos dormentes, ajudar a virar o trem no “viradô”, catar carbureto para colocar fogo na água no rio fubá, colocar moedas de centavos na linha para serem amassadas pelo trem. Subir nos vagões, soprar no engate dos vagões, pegar rabeira no trem quando ele ia para o viradô, mexer na tubulação da caixa d’água que alimentava a locomotiva, tentar virar a chave (ferramenta que mudava o trem de linha para manobra) em fim eram algumas das peraltices que a criançada fazia. Boas lembranças do Bebeto (cobrador-Famoso) Sr. Eugenio,  dos maquinistas, foguistas Sr. Panza, Elmo Pimentel de Oliveira do “trolinho” que invariavelmente aparecia para a nossa alegria, trabalhadores que fazia o “trolinho” andar com paus como remos. Normalmente o trem saía da estação de Mirahy às 7:15 da manhã e retornava de Cataguases às 17:25, percurso que durava cerca de 2 horas, às vezes aparecia um trem com o nome de misto e a viagem até Cataguases demorava cerca de 2 horas.

O ramal foi desativado definitivamente em 31 de dezembro de 1967.

 

Palco de lendas.

A estação Mirahy foi palco de muitos encontros e desencontros, com chegadas e partidas, personalidades como Ataulpho Alves quando criança que foi pegador de malas, e depois já no sucesso da fama viajou nesse mesmo trem já como artista consagrado. Muitos vão se lembrar de uma senhorinha, muito baixinha, sempre descalça com cabelos longos, mas sempre em tranças enormes, me parecia ser descendente de índios purís, que sempre vinha à rua pelos trilhos do trem. Conta-se que ela já idosa não ouvia bem o barulho do trem e muitas das vezes se deparava com o trem em cima do pontilhão na altura do correio de casas e afirmasse que sem a menor lógica o trem passava por ela em cima do pontilhão, coisas e folclores da época. Saindo do folclore, um fato que marcou muito foi de alguns rapazes da comunidade terem colocado fogo na caldeira da locomotiva e conseguirem fazer o trem andar por alguns quilômetros. O fato trouxe um grande problema policial, mas tudo ficou resolvido porque um dos jovens era da elite e filho de político influente da época. Nos primórdios a estação era ponto de encontro de pessoas, não só para os Miraienses que viajam com destino a Cataguases e Rio, mas também para o encontro de pessoas que ficavam esperando por passageiros que chegavam e sempre trazendo novidades, como era o caso dos chamados comissários. Os comissários eram as pessoas que iam, principalmente ao Rio de Janeiro para fazer compras, e ou buscar encomenda de alguém. Na Estação e pelos trilhos do Trem eram escoadas todas as mercadorias que iam para o porto do Rio de Janeiro, principalmente o Café. Ou seja, pelos trilhos eram escoadas a riqueza e a opulência da região. De tudo isso, de toda essa história nos restou o prédio da Estação Mirahy, o que restou realmente de uma época em que a Maria Fumaça, o apito do trem, o cheiro da lenha queimada, do carvão e dos barulhos da Locomotiva e dos vagões marcavam o ritmo da cidade. Para nossa alegria no dia 03 de abril do ano de 1974, o então Prefeito Municipal Dr. Luiz Alves Pereira, teve a feliz ideia de comprar para o Município o prédio da Estação, com aproximadamente 158m² pagando-se pela transação o valor de Cr$ 8.450,00 (oito mil quatrocentos e cinquenta cruzeiros). Nos anos de 1970(?) alguns trilhos começaram a serem arrancados. No ano de 1985, o então Prefeito Dr. Dinardo Triane, concluiu a restauração da antiga Estação, para deixá-la em condições de se transformar na atual Rodoviária da Cidade.



Abaixo, belo registro da Estação de Mirahy apresentado por Luiz Claudio na página do facebook "Divulgando Minas". 


Destaque para o prédio de bela arquitetura localizado ao lado da antiga estação ferroviária.





Abaixo, registros da Estação de Mirahy em tempos distintos.









Na foto acima, Miraí em 2023. Nas duas fotos abaixo, belíssimas e românticas imagens da mesma região nos tempos da ferrovia.



Acima e abaixo, mais dois registros para a história de Mirahy, ainda nos tempos da Ferrovia.



Cadeado usado nas portas de imóveis ferroviários. 




Lanterna a base de carbureto, usada pelos ferroviários da EFL.




Antiga bilheteria da Estação de Mirahy, hoje utilizada na venda de passagens de ônibus.


Nas fotos abaixo cedidas por Hugo Caramuru, Mirahy em dois tempos.



Abaixo, o antigo Virador de Locomotivas, que ficava a uma razoável distância da Estação, na saída para João Rezende.


Acima, belo registro da Linha do Trem saindo de Mirahy, na região próximo à onde ficava localizado o Virador da Locomotiva.

Abaixo, a localização do antigo Virador. 


Abaixo, uma gratificante visita ao Memorial Ataulpho Alves, quando pude me encantar com o Espaço Cultural, além da sensacional oportunidade de apresentar a página otremexpresso a um grupo de estudantes. 





Abaixo, belíssimos Patrimônios Históricos na Praça Central de Miraí. 



11 comentários:

Unknown disse...

que saudade da professorinha....que me ensinou o be aba....na pequenina Mirai...era ai....??? Ataulfo alves....

Anônimo disse...

Um trecho na chegada da cidade passava na rua do primeiro imóvel da Fábrica de doces Mirahy e também aonde morava o irmão do Sr, Oswaldo Peixoto de Resende.
No prédio em frente, funcionava a Companhia Fiação e Tecelagem Alves Pereira.
Depois foi adquirido pela Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina, hoje Energisa.
Essa empresa inicial era a concessionária de energia elétrica de Mirahy.
Essa rua se chama: Expedicionário José Baldine.
Vicenzo Osiel Menta

Anônimo disse...

Saudades... meu pai trabalhou por muitos anos neste ramal.
Geraldo Bernardo

Unknown disse...

Boa tarde, Mirahy 04-04-2023, Amarildo, quando está previsto a atualização nas postagens da ESTAÇÃO MIRAHY?, parece que o Amigo tem algumas novidades!

Amarildo Mayrink disse...

Matéria atualizada em 08 de abril com muitas novidades!

Wagner Rotondo disse...

Excelente! Nossa rodoviária ganhou vida com essa pintura!

Pretendo fazer uma réplica de nossa estação para colocar em minha maquete de ferreomodelismo.

Anônimo disse...

Amarildo José Mayrink, Parabéns! Fantástico o trabalho que você faz de resgate da história e da memória da Rede Rerroviária!
Milton Miranda

Anônimo disse...

Ah, muito legal!
Eu tenho essa página como referência na construção de minha maquete de ferreomodelismo.
Aliás, estou ainda na dúvida de qual época retratar a nossa estação, pois vou fazer a réplica dela.
Minha maquete é de época (com casas e uma fazenda de arquitetura antiga) e estou usando uma Ten Wheeler rodando nela e futuramente uma Consolidation também.
Wagner Rotondo

Rosangela Amparo disse...

Que matéria linda Amarildo e com informações e fotos belíssimas. E como sempre Milton Miranda sempre acrescenta muito com suas fotos e história.
Visitei Miraí na semana passada está lindíssima.
Obrigado por compartilhar.

Rosangela

Rosangela Amparo disse...

Amarildo que matéria linda sobre nossa Miraí. Fico muito feliz pelas informações, resgaste da história e fotos que vi nesse nesse blogger a qual não tinha visto ainda. Muito obrigado por compartilhar. Como sempre tudo que se fala de Miraí tem alguma foto do Milton Miranda que sempre guarda e compartilha com muito carinho.
Visitei Miraí recentemente e falo esta linda.
Essa obra minimalista ficou incrível e valorizou muito.
Sobre a Replica do Wagner seria incrível.
Parabéns Amarildo pela reportagem e sucesso para você.

Anônimo disse...

Fantástica essa atualização! Parabéns pelo belíssimo trabalho de resgate da história Ferroviária da EFL.
Gilmar De Oliveira Costa