quinta-feira, 9 de julho de 2026

ESTAÇÃO VISCONDE DE ITABORAÍ - Aquela que foi uma das mais importantes Estações do Estado do Rio de Janeiro hoje se encontra em ruínas.

Acima, belo registro do acervo “HIR”, onde podemos ver a Estação, todo o Pátio de manobras e as Casas dos Ferroviários.

Abaixo, a composição com destino a Niterói pronta para deixar a Estação de Visconde de Itaboraí, em belo registro do acervo de Leandro Santos.


Acima, outro belo registro do acervo “HIR”, onde vemos os antigos vagões de madeira da E. F. Leopoldina estacionados ao lado da Estação.

Abaixo, em ângulo aproximado ao da foto acima, o que sobrava da Estação de Visconde de Itaboraí em 2022. Foto de Paulo Neiva Pinheiro.



Acima e abaixo, dois belos registros enviados pelo amigo José Carlos da Silva, onde vemos duas Locomotivas a Vapor ao lado das Casas dos Ferroviários. Numa das fotos vemos parte da Estação. 

Abaixo, três fotos dos anos 1990, de José Alves Vasconcelos. Manobras de Trens do Subúrbio para Niterói.



Abaixo, em ângulo aproximado ao das fotos acima, o que sobrava da Estação de Visconde de Itaboraí em 2022. Foto de Paulo Neiva Pinheiro.


Acima e abaixo, "ontem & hoje" da Estação de Visconde de Itaboraí.

Paulo Neiva Pinheiro diante das ruínas dantiga Estação de Visconde de Itaboraí em 2022. 




porto-das-caixas


Estação VISCONDE DE ITABORAÍ


amaral

itambi

   


Saída para a Linha de Saracuruna

magé



Município: Itaboraí–RJ

Linha do Litoral – Km 73,945

Altitude: 3m

Estação inaugurada em: 01 de dezembro de 1874

Estive no local em: Ainda não visitei a Estação. Fotos de Paulo Neiva Pinheiro; José Alves de Vasconcelos; Leandro Santos; José Carlos da Silva e "HIR".

Uso atual: Em ruínas. Só restaram as Casas dos Ferroviários servindo de moradia e a Caixa d'água abandonada.

Situação Atual – Sem os trilhos, tráfego suspenso. 

 

C. F. C. Niteroiense (1874-1887)

E. F. Leopoldina (1887-1975)

RFFSA (1975-1996)

Flumitrens/CENTRAL (1996-2007)



HISTÓRICO:

Conforme cita o site estacoesferroviarias, de Ralph Mennucci Giesbrecht...  “O que mais tarde foi chamada "Linha do Litoral" foi construída por diversas companhias, em épocas diferentes, empresas que acabaram sendo incorporadas pela Leopoldina até a primeira década do século XX. O primeiro trecho, Niterói-Rio Bonito, foi entregue entre 1874 e 1880 pela Cia. Ferro-Carril Niteroiense, constituída em 1871, e depois absorvida pela Cia. E. F. Macaé a Campos. Em 1887, a Leopoldina comprou o trecho. A Macaé-Campos, por sua vez, havia construído e entregue o trecho de Macaé a Campos entre 1874 e 1875. O trecho seguinte, Campos-Cachoeiro do Itapemirim, foi construído pela E. F. Carangola em 1877 e 1878; em 1890 essa empresa foi comprada pela E. F. Barão de Araruama, que no mesmo ano foi vendida à Leopoldina. O trecho até Vitória foi construído em parte pela E. F. Sul do Espírito Santo e vendido à Leopoldina em 1907. Em 1907, a Leopoldina construiu uma ponte sobre o rio Paraíba em Campos, unindo os dois trechos ao norte e ao sul do rio. A linha funciona até hoje para cargueiros e é operada pela FCA desde 1996. No início dos anos 80 deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória.” 


A ESTAÇÃO:

Ainda não visitei a Estação de Visconde de Itaboraí, mas os amigos e grandes colaboradores de nossa página Paulo Neiva Pinheiro; Leandro Santos; José Carlos da Silva e José Alves de Vasconcelos enriqueceram esta matéria com belas fotos, além do belo acervo da "HIR". 


Segue abaixo o relato de Paulo Neiva Pinheiro sobre sua visita à ESTAÇÃO VISCONDE DE ITABORAÍ em 2022, quando fez as fotos aqui apresentadas...

“A Estação de Visconde de Itaboraí já teve grande importância para a ferrovia, pois era onde havia o entroncamento da Linha Do Litoral dos Trens que saíam do Rio de Janeiro (Estação Barão de Mauá) e dos Trens que saíam de Niterói (Estação Presidente Dutra) com destino a Vitória-ES. Até o início de 2017, a Estação estava abandonada, mas em pé. Em outubro desse mesmo ano o prédio da Estação já havia virado ruínas, apenas as paredes em pé: dizem que foi arruinado pela própria comunidade em volta, cansada de aguentá-lo sendo antro de mendigos e drogados. Quando estive lá em 2022, a Estação estava completamente abandonada com seu telhado, escoramentos da cobertura das plataformas, portas, janelas, tudo saqueado. O que houve ali foi um saque geral de todos os materiais que poderiam ser reusados em casas e todo material ferroso que poderia ser vendido em ferro velho, como os trilhos e os escoramentos das coberturas das plataformas. Enfim, as fotos que fiz mostram em detalhes o estado de completo abandono da antiga Estação. O local está realmente perigoso de se frequentar. Caso alguém queira visitá-la, recomento que evite ir até lá sozinho.”


A Estação de Visconde de Itaboraí em 08 de fevereiro de 1930, acervo RFFSA-URCAM – Unidade Regional Campos.


A seguir, o riquíssimo histórico sobre a Estação de Visconde de Itaboraí apresentado no site Estações Ferroviárias, de Ralph Mennucci Giesbrecht...

“A Estação de Visconde de Itaboraí foi entregue em 1874, pela Cia. Ferro Carril Niteroiense, comprada depois pela E. F. Cantagalo, esta pela E. F. Macaé a Campos e finalmente absorvida pela E. F. Leopoldina, em 1887. (Nota: Em algumas literaturas cita-se a data de inauguração da Estação como sendo 09/07/1927, mas esta pode ser a data da construção do prédio atual que, devido à junção nesse ano com a linha que vinha de Linha do Norte da Leopoldina, da Estação de Magé, teria tido um novo prédio e mesmo novo local para a Estação. É uma suposição que não consegui comprovar até agora.)

A cidade se chama Itaboraí e a Estação, Visconde de Itaboraí, ou o político do Império Joaquim José Rodrigues Torres, nascido nessa localidade. Foi uma cidade bastante importante no século XIX, a ponto de por pouco não ter sido designada como capital do Estado do Rio de Janeiro, perdendo para Niterói. Apesar da ferrovia, a queda no transporte fluvial através de Porto das Caixas acabou por causar o declínio de Itaboraí.

Até 2007, a Estação estava em péssimo estado, mas ainda servindo ao seu propósito, sendo o ponto de partida para a linha da Flumitrens para Niterói, num trecho de 32 quilômetros em péssimas condições, como mostrava a reportagem da revista CNT de 10/1999: "É quinta-feira, 26 de agosto (de 1999) e a saída do trem das 9h15 está ameaçada. Há problemas na escova da locomotiva. Os mecânicos tentam um gatilho e os funcionários, amontoados numa sala suja e quase sem móveis, torcem, acostumados aos atrasos e cancelamentos, alguns usuários, em pé, esperam pacientemente na plataforma. Outros desistem e vão para a parada de ônibus. Meia hora depois o problema está resolvido e os três vagões, com capacidade para 200 passageiros, partem levando pouco mais de 30 pessoas. A maioria das portas defeituosas segue aberta, enquanto outras já nem existem mais. Como a via é irregular e o trem balança muito, deve-se tomar cuidado para não cair. Os acidentes são frequentes, apesar da baixa velocidade. O maquinista vai o tempo todo apitando para que as pessoas saiam da linha. Não há proteção e em alguns lugares o trem passa junto aos prédios. Outro motivo de atraso constante é o uso do leito da ferrovia para estacionamento de automóveis. Como o trem passa só a cada três horas - e nem sempre regularmente - muitos motoristas deixam os veículos sobre a linha e vão fazer compras ou entregas. Diante do abandono da linha, alguns acham que o ramal está desativado".

A Estação, em abril de 2008, com o fim do Trem que vinha de Niterói, já estava abandonada de vez: "Do passado movimentado, restou apenas um bairro acanhado, com ruas enlameadas. Segundo dois rapazes do lugar, 'o Trem (de Niterói) ficou um montão de tempo sem rodar, mas de repente voltou e parou de vez faz pouco mais de um ano. Diz que foi pressão da empresa de ônibus que domina o transporte intermunicipal entre Itaboraí, São Gonçalo e Niterói. Moço, eram três horários por dia pra Niterói, de repente ficaram dois, de dois passou pra um e aí acabou. Esse Trem faz muita falta pra nós aqui'. O mato cresce em todo o pátio, no abrigo e até dentro dos carros abandonados. A Estação está em total abandono, mas as casas de turma viraram moradias. Não me animei a ir pedir mais informações aos moradores; a desolação do lugar e a visão dos carros apodrecendo no pátio me fizeram mal. Na fachada lateral de uma dessas casas, sob a tinta preta descascada, lê-se 'L. R.'. Na rua da Estação fica o Esporte Clube Ferroviário, com o seu campo de futebol paralelo aos trilhos" (Leandro Cesar dos Santos, 04/2008).


Na sequência abaixo, a antiga Estação de Visconde de Itaboraí em ruínas, em fotos feitas por Paulo Neiva Pinheiro em 2022.








À direita, a Estação em ruínas. À esquerda, a Vila Ferroviária.

Casas da Vila Ferroviária existente no local.

Ainda encontramos placas de "Patrimônio" da antiga RFFSA em todas as casas da Vila Ferroviária.


 A antiga Caixa d'água de concreto ainda está no pátio da Estação.


Na sequência abaixo, detalhes do que sobrou da antiga Estação de Visconde de Itaboraí sob o olhar de Paulo Neiva Pinheiro.














O que sobrou da Casa do Chefe da Estação.



Acidente com um Trem noturno que vinha de Barão de Mauá na Estação de Visconde de Itaboraí em 1952 matou um tripulante esmagado. O Trem seguiu viagem. Imaginem como seria hoje... (Folha da Manhã, 16/4/1952).


Antiga casa da Vila Ferroviária. 

Estrutura de uma antiga plataforma no meio do mato.

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